Fiergs e Fecomércio-RS criticam manutenção da taxa Selic em 15% e alertam para impacto no setor produtivo
Entidades gaúchas apontam que juros altos agravam custos, limitam crédito e travam investimentos no país
Entidades gaúchas apontam que juros altos agravam custos, limitam crédito e travam investimentos no país A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano gerou críticas de entidades empresariais do Rio Grande do Sul. Tanto a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) quanto a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) afirmaram que o nível elevado dos juros impõe custos excessivos e prejudica o desempenho econômico.
O presidente da Fiergs, Claudio Bier, destacou que a indústria gaúcha tem enfrentado “desafios sucessivos”, com os efeitos da taxa de juros alta se somando às dificuldades de crédito e retração da atividade.
— A indústria gaúcha, em particular, tem enfrentado desafios sucessivos, cujos impactos são agravados pelas restrições ao crédito e à atividade — afirmou Bier.
Segundo ele, dados da Sondagem Industrial da Fiergs mostram que os juros elevados figuram entre os principais entraves à produção. Bier defende que uma trajetória de redução sustentável da taxa só será possível com um compromisso efetivo do governo com a responsabilidade fiscal.
— Avançar para uma trajetória sustentável de redução dos juros exige um compromisso efetivo do governo com a responsabilidade fiscal, que restabeleça a confiança dos agentes econômicos, criando um ambiente mais favorável ao investimento, à produção e ao emprego — completou o dirigente.
Para Bier, a decisão do Copom reflete um ambiente de “muita incerteza”, ainda marcado por pressões fiscais, inflação acima da meta e riscos externos relevantes.
Fecomércio vê cenário prolongado de juros altos
O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, afirmou que a decisão não surpreendeu e avaliou que o Banco Central deve manter a taxa elevada por um período prolongado, apesar da expectativa de redução gradual a partir de 2026.
— A manutenção da taxa de juros em 15% ao ano não surpreendeu. Apesar de uma inflação recente mais benigna, ela permanece fora da meta no horizonte relevante. O Banco Central tem adotado uma postura cautelosa, o que deverá manter os juros altos por mais tempo — afirmou.
Bohn ressaltou que a incerteza do cenário internacional e o desequilíbrio fiscal interno seguem como obstáculos à redução estrutural da taxa de juros no Brasil.
— É urgente promover uma redução estrutural da taxa de juro no País, o que só será possível mediante uma mudança na dinâmica dos gastos públicos — disse o presidente da Fecomércio, acrescentando que o aumento da dívida e das despesas tem pressionado a inflação e dificultado a queda dos juros de longo prazo.






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