BC mantém Selic em 15% ao ano pela terceira vez e indica juros altos por mais tempo
Decisão do Copom reforça cautela diante da inflação acima da meta e do cenário internacional incerto
BC mantém Selic em 15% ao ano pela terceira vez e indica juros altos por mais tempo O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela terceira reunião consecutiva. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (5/11), confirma a continuidade da política monetária restritiva, mesmo diante da pressão do governo federal por uma redução.
Em comunicado, o Banco Central afirmou que o cenário econômico ainda exige “cautela na condução da política monetária”, destacando que o ambiente externo segue incerto, especialmente pela política econômica dos Estados Unidos, e que a inflação no Brasil permanece acima do centro da meta.
Segundo o BC, manter os juros elevados por um período prolongado é necessário para garantir que a inflação volte ao nível desejado. O Copom também não descartou novas altas, caso o comportamento dos preços se deteriore.
A Selic está no maior patamar em quase 20 anos — o último registro semelhante foi em 2006, quando a taxa alcançou 15,25% ao ano. O ciclo de alta iniciado em setembro de 2024 interrompeu uma trajetória de estabilidade e já acumula elevação de 4,5 pontos percentuais desde então.
Pressão política e impactos na economia
A decisão mantém o impasse entre o Banco Central e o governo federal. Na véspera da reunião, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, se integrasse o colegiado, votaria pela redução da Selic, classificando o atual nível de juros como “insustentável”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem defendido cortes, sob o argumento de que a manutenção da taxa elevada encarece o crédito e trava o crescimento econômico.
Apesar da desaceleração da atividade e do arrefecimento da inflação em alguns setores, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ainda acumula alta de 5,17% em 12 meses, acima do teto da nova meta contínua, que varia entre 1,5% e 4,5%.
O último boletim Focus, do próprio Banco Central, projeta inflação de 4,55% em 2025 e 4,2% em 2026, números que seguem distantes do objetivo central de 3%.
Cenário internacional
A decisão do Copom amplia a diferença entre os juros brasileiros e os dos Estados Unidos. Na semana passada, o Federal Reserve (Fed) reduziu a taxa norte-americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, o que cria um diferencial de 11 pontos percentuais — o maior desde o início da década de 2000.
Apesar da pressão interna, o câmbio segue estável e o dólar se mantém comportado, favorecido pela melhora no diálogo entre os governos de Lula e Donald Trump, após o encontro entre os presidentes na Malásia, em outubro.
O próximo encontro do Copom está marcado para 9 e 10 de dezembro, quando deve ocorrer a última decisão de política monetária do ano. A reunião também marcará a despedida de dois diretores indicados durante o governo anterior: Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro).
Enquanto o governo insiste na necessidade de reduzir os juros para estimular a economia, o Banco Central reforça que a prioridade continua sendo conter a inflação e preservar a credibilidade da política monetária.






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