Senado instala CPI do Crime Organizado com Fabiano Contarato como presidente
Senador do PT do Espírito Santo derrotou Hamilton Mourão no voto; Alessandro Vieira assume a relatoria
Senador Fabiano Contarato O Senado instalou nesta terça-feira (4/11) a CPI do Crime Organizado e elegeu o senador Fabiano Contarato (PT-ES) para presidir os trabalhos. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento que criou a comissão, será o relator.
A escolha de Contarato só foi possível após uma série de mudanças na composição da CPI realizadas ainda na manhã de hoje, que deram maioria ao governo e evitaram um cenário semelhante ao da CPI do INSS, quando a base governista foi derrotada.
A oposição tentou impedir a eleição e levou a disputa a voto. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi indicado como alternativa ao nome governista após a tentativa inicial de emplacar Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O placar final foi de 6 votos para Contarato e 5 para Mourão.
— Nós da oposição não temos nenhum conforto para votar alguém do PT nessa comissão — afirmou Flávio Bolsonaro, justificando o posicionamento do bloco oposicionista.
Contarato rebateu e afirmou que manterá independência:
— Eu jamais renunciaria às minhas convicções. Os atos falam mais que as palavras.
Nas redes sociais, Contarato falou sobre a nomeação:
“Com 27 anos de experiência como delegado, afirmo que o combate ao crime organizado é uma das maiores prioridades do Estado brasileiro. Não apenas porque ameaça a paz e o sossego de cada trabalhador e trabalhadora neste país, mas porque corrói as estruturas da nossa democracia, compromete a confiança da população nas instituições e alimenta um ciclo de medo, desigualdade e impunidade. Assumo a missão de presidir a CPI do Crime Organizado com humildade e com um compromisso inegociável: investigar com independência, transparência e coragem. Será uma comissão para ir até o topo da cadeia criminosa, para identificar e responsabilizar não apenas os executores, mas também os líderes, financiadores e cúmplices que lucram com a violência e a corrupção.”
A principal movimentação que garantiu maioria governista foi a substituição de Nelsinho Trad (PSD-MS) por Ângelo Coronel (PSD-BA) como titular.
Houve ainda outras trocas durante a manhã, com Omar Aziz (PSD-AM) deixando a cadeira para Coronel, enquanto Randolfe Rodrigues (PT-AP) assumiu como suplente.
A oposição criticou as mudanças. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que o governo “tomou de assalto a comissão”.
— Vi movimentações desde ontem à noite. O governo Lula não queria essa CPI e articula para comandá-la — declarou.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), respondeu:
— Não houve aberração. Buscávamos consenso. As trocas são parte do processo político.
O governo chegou a sugerir Mourão como vice-presidente para um acordo, mas ele recusou. Vieira também apelou para que o general aceitasse, afirmando que a disputa poderia causar “comunicação equivocada à população”.
Mesmo oposicionistas reconheceram o perfil técnico de Contarato.
— Ele tem postura independente em muitos casos — disse Girão, reiterando, porém, que o PT no comando gera desconfiança por a CPI também poder investigar o governo federal.






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