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São Jerônimo, RS,14/07/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Dez anos, bah

14 de julho, Queda da Bastilha e início da Revolução Francesa

Arquivo Pessoal
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Dez anos, bah

João Adolfo Guerreiro

Para alguns, dez anos passam rápido. "Quando a gente vê, já foi" - dizem. Bah, pra mim não. Dez anos é uma vida! Putz, em 14 de julho de 2016 eu tava numa festa comemorando os 80 anos de um familiar. E quanta coisa aconteceu de lá pra cá? Bah!

14 de julho, Queda da Bastilha e início da Revolução Francesa, quem diria em 2016 que em 2018 surgiria uma baita Seleção da França na Copa da Rússia, campeã, com um jogador preto de 18 anos chamado Mbappé como camisa 10? Quem diria que a França viraria o novo Brasil do futebol pelas três copas seguintes e que Mbappé se tornaria o novo Pelé do início do século XXI? Mas foi, tudo isso em apenas dez anos, inimaginável em 14 de julho de 2016.

Quem diria também que um presidente de extrema-direita seria eleito no Brasil? Que uma epidemia varreria o mundo, matando quase um milhão de brasileiros? Que uma enchente pior que a de 1941 assolaria o Rio Grande do Sul? Pois estamos hoje em 14 de julho de 2026 e tudo isso aconteceu, num período de dez anos. Na minha vida então? Bah, foi tanta coisa que fico estarrecido só de pensar, e nada que eu imaginasse naquela festa de aniversário. Na profissão, na família, gente que morreu e gente que nasceu. Ah, sim, o parente já morreu. Quase chegou nos 90. Hoje ele estaria de aniversário, virando nonagenário.

E a miscigenação no futebol mundial, essa que se vê na Copa 2026, como na foto acima, dois jogadores pretos em destaque na semifinal de hoje, o Mbappé pela França e o Lamine Yamal pela Espanha? Buenas, isso já se esperava, é um processo que começou há uns 40 anos com o forte processo migratório para a Europa. Mas nas copas de 1978, 1982, por exemplo, jogadores europeus eram todos brancos. Hoje vemos seleções como a da Alemanha, Suécia, Espanha, Noruega, Inglaterra, Suíça, dentre outras, repletas de atletas pretos e pardos. E o futebol deles cresceu com isso, igualou e mesmo superou o miscigenado futebol brasileiro, que reinou de 1959 até 2002.

E, assim como dez anos, quarenta anos não são nada pra humanidade, mas vejam quanta coisa já acontece e muda radicalmente a nossa vida, o futebol e o mundo? Mas bah!

PS - França o novo Brasil é Mbappé o novo Pelé... É Yamal e a Espanha ganharem daqui a pouco e minha crônica já ficar anacrônica!




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