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São Jerônimo, RS,06/11/2026

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Polo Carboquímico ampliará o PIB gaúcho em 4,5% ao longo de 20 anos

Copelmi projeta polo para 2023, mas o cronograma pode ser revisto se licenciamento da Mina Guaíba se alongar

Carla Miller Trainini / Banco de Dados
Polo Carboquímico ampliará o PIB gaúcho em 4,5% ao longo de 20 anos Área estará totalmente recuperadas com o término da extração de carvão
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“A importância do Polo Carboquímico no RS” foi o tema da palestra do diretor de
Novos Negócios da Copelmi Mineração, Roberto da Rocha Faria, nesta terça-feira
(1º/10), na reunião-almoço MenuPoa, promovida pela Associação Comercial de
Porto Alegre.


O projeto do polo carboquímico, em sua etapa inicial, prevê a geração de 4,5
milhões de metros cúbicos de gás de síntese, a partir do carvão, com
investimento de US$ 2,5 bilhões nessa planta de gaseificação. Para essa
unidade, a Copelmi conta como parceira a norte-americana Air Products. O polo
seria completado, posteriormente, com fábricas de metano, amônia, ureia e
outros produtos da indústria química. A projeção é de gerar sete mil empregos
diretos e indiretos só dentro do empreendimento, sem levar em conta as
indústrias secundárias. Uma vez que a carboquímica possui um aspecto regional,
o retorno de ICMS para o Estado será imediato.


Na abertura do evento, o presidente da Associação Comercial, Paulo Afonso
Pereira, disse que o debate sobre o uso do carvão precisa ser técnico,
descartando o ideológico.


- As plantas modernas não usam chaminés para dispersão de pó e gases, que são
retidos em sucessivas etapas de limpeza - disse.


Segundo ele, os detritos da queima do carvão, chamado de escória, podem ser
usados na indústria de cimento e adicionados ao asfalto. As cinzas volantes
podem ser usadas na fabricação de argamassa para a construção civil.


Desde 2014, a Copelmi espera o licenciamento da mina Guaíba – primeiro passo
para a viabilização do Polo Carboquímico – que está sendo analisado pela
Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Do ponto de vista do
desenvolvimento, é um empreendimento muito importante para o Estado, porque a
mineração e a atividade carboquímica pode ampliar o PIB do Rio Grande do Sul em
4,5% ao longo de 20 anos.


Roberto da Rocha Faria, diretor de Novos Negócios da Copelmi Mineração, lembrou
que o Polo Carboquímico do Rio Grande do Sul é um projeto de governo, aprovado
pela Assembleia Legislativa, e considerado estratégico para recuperar a
economia gaúcha. O polo terá dois complexos: Baixo Jacuí e Campanha. Para
região do baixo Jacuí, onde está localizada a mina Guaíba, da Copelmi, se busca
a substituição de importação de três produtos: ureia, gás natural e o metanol.
A produção prevista de indústrias localizadas no Polo será de 800 mil toneladas
de metanol por ano, um milhão de ton/ano de ureia e aproximadamente 2,1 milhões
de metros cúbicos de gás natural.





O diretor da Copelmi ressaltou que a tecnologia empregada no Polo evita a
queima do carvão, como acontecia antigamente.


- Agora, o gás dentro da caldeira é a matéria-prima. Por isso, não tem chaminé,
emissão, é muito mais limpo. Esse gás produzido dentro da caldeira é chamado
gás de síntese, que produz monóxido de carbono e hidrogênio. A partir do gás de
síntese pode-se produzir metano, amônia, ureia, metanol, diesel e outros
produtos da indústria química - disse.




É PRECISO O

LICENCIAMENTO


AMBIENTAL




Contudo, para essa iniciativa se materializar, é preciso que a mina Guaíba, que
fornecerá a matéria-prima para o complexo, obtenha o seu licenciamento
ambiental, algo que está sendo motivo de muito debate. O Ministério Público
Estadual (MPE) entrou com uma ação para a suspensão de qualquer licenciamento
relativo ao polo. A promotora do Meio Ambiente do MPE em Porto Alegre Ana Maria
Moreira Marchesan detalha que a ação é contra a Fundação Estadual de Proteção
Ambiental (Fepam) e o governo do Estado para que não seja emitida qualquer
licença para o polo carboquímico, seja na região do Baixo Jacuí ou da Campanha,
que abrangem o conceito do polo, sem que haja previamente audiências públicas
para tratar da questão. Ana defende também que seja feita uma avaliação
ambiental estratégica capaz de levar em conta os efeitos sinergéticos de tudo
que envolve um polo.


A ação questiona o déficit democrático (a sociedade não foi ouvida o
suficiente) e de planejamento ambiental (de informações de impactos) quanto ao
procedimento de licenciamento. Além da iniciativa do MPE, o processo de
licenciamento da mina Guaíba está paralisado, pois a Fepam pediu informações
complementares sobre o projeto. A promotora é favorável que seja feita uma nova
audiência pública do órgão ambiental, em Porto Alegre, após as complementações
que foram exigidas da empresa.




EMPRESA RECEBEU

COM SURPRESA


AÇÃO DO MP-RS




O diretor de novos negócios da Copelmi, Roberto Rocha Faria, disse que recebeu
a informação da ação do Ministério Público no final desta segunda-feira e diz
que a notícia causou estranheza, já que a lei estadual que criou a política do
carvão e o polo carboquímico foi aprovada praticamente com unanimidade na
Assembleia Legislativa, em 2017.


Em reportagem do Jornal do Comércio desta quarta-feira (2/10), o dirigente
comenta que, devido aos debates feitos nas audiências públicas sobre a mina
Guaíba, a Fepam pediu 118 solicitações adicionais e isso impactará no cronograma
de licenciamento do projeto. Faria admite que qualquer investidor internacional
está buscando projetos no mundo todo e se ele observar muitas dificuldades ou
dúvidas quanto a um empreendimento, provavelmente buscará um ambiente de menor
risco. Sobre a audiência proposta pelo deputado estadual Edegar Pretto (PT) e
realizada na segunda-feira, o diretor da Copelmi diz que o encontro serviu para
apresentar a proposta
 da mina Guaíba e
polo carboquímico para a sociedade, pois muitas vezes a informação chega
distorcida para as pessoas.


Outro fator que é fundamental para que o projeto siga adiante é a efetivação do
novo marco regulatório do gás no Brasil, para dar segurança quanto aos
contratos de fornecimento que serão firmados. Hoje, há um vácuo regulatório
que, segundo Faria, gera uma dificuldade comercial para o empreendimento.




Com informações da Associação Comercial de Porto Alegre e Jornal do Comércio



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