Câmara cassa mandatos do prefeito e do vice de Triunfo
Em sessão que durou mais de 13 horas, a Câmara de Vereadores cassou Valdair Gabriel Kuhn e Orizon Donini César Júnior por irregularidades político-administrativas
BeLô e Orizon foram cassados pela Câmara de Vereadores Depois de uma sessão que durou mais de 13 horas, a Câmara de Vereadores de
Triunfo cassou, por nove votos a dois, os mandatos do prefeito Valdair Gabriel
Kuhn (Belô, PSB) e do vice-prefeito Orison Donini César Júnior (PSDB), eleitos
em 2016. A sessão iniciou às 17h de sexta-fieira (26) e às 6h25 da manhã deste
sábado (27) o presidente do Legislativo, Murilo Machado Silva (MDB), declarou
cassados os mandados.
LEIA TAMBÉM:
Legislativo de Triunfo aceita novo pedido de impeachment do prefeito e vice
A denúncia que deu origem ao pedido de impeachment (cassação) foi apresentada pelo cidadão Ozenir Alves
da Silva Filho e apontou irregularidades cometidas na área da saúde e em
licitações. Os três fatos citados, que deram origem a nove infrações cometidas
pelos administradores municipais, são a contratação sem licitação do Instituto
de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde (IAHCS), responsável pela
gestão do Hospital Santa Rita; a contratação irregular da Empresa LF Facilities
Ltda para disponibilizar cozinheiras nas escolas municipais; e a contratação irregular
a empresa Vigilância Muhl-Acil para a guarda de bens públicos do município. Durante
a fase de apurações, prefeito e vice recorreram à Justiça em cinco oportunidades
para anular o processo, mas não tiveram êxito. Ao fim dos trabalhos, a relatora
da comissão processante, vereadora Marizete Cristina de Freitas Vaz (Moa, PP),
apontou a improcedência da denúncia, mas o parecer foi rejeitado pelos outros
dois integrantes do grupo, Nelson Saraiva Aguilheiro (PDT) e Valmir Rodrigues
Massena (PSD) e a sessão de votação foi marcada para esta sexta-feira.
A sessão foi presidida pelo presidente Murilo Machado Silva até o mento das
votações, quando deu lugar ao suplente Jairo Almeida de Souza (MDB), porque
assumiria a Prefeitura em caso de cassação e era parte interessada no
resultado. Votaram pela cassação os vereadores Adriano costa da Silva (PPS), Glauco
dos Reis Silva (PSDB), Fernanda Paz Pinheiro (PP), Nelson Saraiva Aguilheiro
(PDT), Mário Pinheiro de Souza (PDT), Marcelo Wadenphul (MDB), Valmir Rodrigues Massena (PSD), Marco
Aurélio da Silva (REDE) e Jairo Almeida de Souza (MDB). Foram contra a cassação
os vereadores Claudio Alfeu Rener Viana Júnior (PRB) e Marizete Cristina de
Freitas Vaz (PP).
Com a cassação, quem assume o comando do Executivo é o presidente da Câmara,
Murilo Machado Silva.
TRIUNFO: UMA HISTÓRIA DE CRISES
POLITICAS
As crises políticas no Município de Triunfo - que detém uma das maiores
arrecadações do estado por conta da instalação do Polo Petroquímico, na década
de 1970 – se iniciaram no final dos anos 1980 e de lá para cá se sucedem a cada
administração municipal. Leia a seguir o histórico das crises:
– Em março de 1989, o então prefeito, Bento Gonçalves dos Santos, foi
acusado de enriquecimento ilícito e de empregar parentes. Foi cassado em 1999,
depois de novamente eleito. Naquele ano, foi condenado três vezes por peculato.
– Entre 1991 e 1992, segundo o Ministério Público, mais de mil títulos
eleitorais foram transferidos para a cidade de uma só vez. Cerca de 30 casos
geraram processos criminais por aliciamento de eleitores.
– Vice-prefeito na gestão de Bento Gonçalves dos Santos, Orlando Vargas (PP)
foi cassado pela Câmara em 2000, mas cumpriu mandato mediante liminar. Ele
teria usado máquinas da prefeitura em propriedade particular.
– No ano 2000, vereadores tiveram prisão decretada por peculato e uso de
dinheiro público.
– Prefeito eleito em 2000 e 2004, José Ezequiel de Souza (PDT), foi cassado em
2005 por compra de votos, propaganda irregular e uso indevido de verbas.
– Em 2006 e 2010, reportagens mostraram uso indevido de diárias por vereadores
em cidades turísticas.
– Eleito em 2012, Marcelo Essvein (PDT) foi cassado por abuso de poder
econômico e político. Em abril de 2013, Mauro Poeta (PMDB) foi eleito para
substituir Essvein.
– Em dezembro de 2013, a Polícia Federal deflagrou a Operação TF-10 para apurar
crimes eleitorais, corrupção, falsidade ideológica e documental, formação de
quadrilha, fraude em licitação e peculato. Foram presos um ex-prefeito, dois
secretários municipais, um ex-vereador e uma funcionária da Câmara.






COMENTÁRIOS