ARTIGO | Nem tudo que alivia resolve
É nesse ponto que a psicoterapia pode fazer diferença: não apenas para aliviar o que estamos sentindo, mas para compreender o que está por trás disso
Um psicólogo pode ajudar você a olhar para pensamentos, emoções e comportamentos que muitas vezes passam despercebidos em meio à rotina e às tantas distrações do dia a dia Thomás Nunes Ribeiro*
Uma caminhada pode diminuir a sua tensão. Mas talvez não ajude a entender por que você está sempre se cobrando tanto. Uma conversa com um amigo pode te confortar. Mas talvez não seja suficiente para compreender por que continua repetindo os mesmos conflitos. Uma viagem pode te fazer esquecer dos problemas por alguns dias. Mas eles podem estar esperando na volta. Um treino pode aliviar o estresse. Uma noite de sono pode devolver energia. Um filme pode distrair. Um dia longe do celular pode fazer muito bem.
O problema está quando fazemos tudo para nos sentirmos melhor, mas continuamos sem entender por que não estamos bem. É nesse ponto que a psicoterapia pode fazer diferença: não apenas para aliviar o que estamos sentindo, mas para compreender o que está por trás disso.
Um psicólogo pode ajudar você a olhar para pensamentos, emoções e comportamentos que muitas vezes passam despercebidos em meio à rotina e às tantas distrações do dia a dia. Afinal, quando estamos constantemente ocupados, nem sempre encontramos espaço para compreender o que realmente está acontecendo.
Às vezes, continuamos trabalhando, estudando, cuidando da família e cumprindo nossas obrigações enquanto, por dentro, estamos cansados, preocupados, irritados ou vivendo no automático. Não é preciso esperar chegar ao limite.
Assim como procuramos um médico quando uma dor persiste, podemos procurar um psicólogo quando percebemos que algo está interferindo na forma como estamos vivendo. Psicologia também é saúde. E procurar ajuda não significa que você não consegue sozinho. Significa reconhecer que algumas coisas ficam mais claras quando não precisamos compreendê-las sozinhos.
Procurar um psicólogo não significa sentar diante de alguém que vai dizer o que você deve fazer com a sua vida. É encontrar um espaço de escuta, acolhimento e respeito, onde você pode falar sobre aquilo que muitas vezes não consegue dizer para ninguém, sem medo de julgamento. O sigilo profissional faz parte desse cuidado. E, por trás dessa conversa, existe muito mais do que uma boa intenção: a Psicologia utiliza conhecimentos científicos e técnicas fundamentadas em evidências para compreender pensamentos, emoções e comportamentos e, junto com o paciente, construir formas mais saudáveis de lidar com aquilo que está causando sofrimento. Você não precisa chegar com tudo organizado, nem saber exatamente o que está acontecendo. Parte do trabalho é justamente ajudar a compreender.
Talvez uma caminhada seja exatamente o que você precisa hoje. Talvez uma conversa com um amigo. Talvez descanso. E talvez, em algum momento, seja hora de uma conversa diferente. Uma conversa com alguém preparado para ajudar você a entender não apenas como se sentir melhor, mas também por que você não está conseguindo se sentir bem.
Na Psicologia, nem sempre o objetivo é fazer desaparecer aquilo que sentimos. Como propõe a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), “o objetivo não é eliminar pensamentos e sentimentos difíceis, mas aprender a viver uma vida significativa apesar deles.”(Steven C. Hayes)
Neste mês em que celebramos o Dia do Psicólogo, talvez a melhor forma de reconhecer a importância da Psicologia seja lembrar que cuidar da saúde mental também é uma forma de cuidar da vida. Sentir-se melhor começa por compreender o que está fazendo com que não estejamos bem.
(*) Thomás Nunes Ribeiro - Psicólogo Clínico e Professor Universitário, com mais de 11 anos de experiência na Psicologia, atuando principalmente com Terapia Cognitivo-Comportamental e Psicologia Baseada em Evidências. Instagram @thomasnribeiro






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