Seja bem-vindo
São Jerônimo, RS,18/08/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Apenas mais um cara do pedaço

Não esqueci o que ele disse

Reprodução
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Apenas mais um cara do pedaço Ozzy Osborne

João Adolfo Guerreiro

Hoje moro no centro da cidade onde nasci, embora não tenha nascido no bairro Centro. Aliás, nasci num bairro 5 km distante da zona urbana da cidade, numa área de segurança onde residiam PMs, professoras, agentes penitenciários e presos. Até os 10 anos eu era um menino da Colônia, conhecido por ser filho de meus pais.

Depois, fui pra outro bairro recém-fundado, uma Cohab, onde residiam PMs, professoras, agentes penitenciários, mineiros e metalúrgicos. Era um bairro de operários e funcionários públicos, zona de assalariados. O bairro então mais bacana e considerado elite da cidade era uma vila jardim, Vila AFP, onde metalúrgicos mais graduados, empresários e profissionais liberais residiam. Fiquei 19 anos na Cohab, era um dos jovens da turma de lá. 

Depois conheci uma morena, casei e fui morar, daí sim, no Centro. Foi só a partir daí que comecei, mesmo, a me considerar charqueadense, embora tenha nascido em Charqueadas. Na verdade, nasci em São Jerônimo, eis que Charqueadas era distrito deste. Na verdadeira verdade, em nenhuma das duas: sou da Colônia, nasci de parto natural em casa, assistido por parteira. Colônia, eis minha naturalidade.

E a gente reside num bairro e se torna uma das pessoas do pedaço, parte da fauna humana dali, reconhecida por seus pares. Sempre que se muda, é tudo novo e diferente. O pessoal da Colônia é o pessoal da Colônia, o pessoal da Cohab é o da Cohab, e o pessoal do Centro... Na verdade, no Centro, por muito tempo, não me senti enturmado, pelo menos não como era na Colônia e na Cohab. Depois de uns anos, porém,  fui integrado à fauna dali, virei mais um cara do pedaço, hoje em dia. Sou uu cara do Centro, agora, mesmo que Colônia é Cohab ainda estejam em mim.

Tive a ideia para essa crônica pois lembrei que, décadas atrás, li numa revista de rock o Ozzy Osborne falar que na cidade dele, especificamente no bairro em que residia, ele era apenas "mais um cara do pedaço", que ia no pub, tomava um trago e jogava conversa fora, pois estava integrado com aquelas pessoas. Ali ele era apenas o Ozzy, não o metálico famoso. Achei estranho um cara famoso dizer isso. 

Nunca mais esqueci o seu depoimento. Mesmo com a gigantesca diferença de status social entre um cara como eu e o Ozzy, hoje, finalmente, entendo exatamente o que ele quis dizer. Tu vira apenas "mais um cara do pedaço", na tua aldeia, pois tu fica figura manjada no lugar. Um barato isso, né?




COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.