MARCELO NORONHA | Às vezes, o extraordinário está logo ali
Santo Amaro do Sul não é apenas uma vila histórica. É um patrimônio vivo do Rio Grande do Sul. Caminhar por suas ruas é compreender que o desenvolvimento não precisa apagar as marcas do passado. Pelo contrário, elas são parte da nossa identidade.
Fundada em 1752, mais antiga que Porto Alegre, preserva uma arquitetura açoriana rara Marcelo Noronha *
Vivemos em uma época em que viajar para longe parece sinônimo de conhecer lugares especiais. Procuramos paisagens em outros estados, em outros países e até em outros continentes, enquanto, muitas vezes, ignoramos tesouros que estão a poucos quilômetros de casa. Essa busca incessante pelo distante acaba nos tornando turistas em qualquer lugar, menos na nossa própria terra.
Foi justamente essa reflexão que me ocorreu ao ler a coluna da jornalista Sara Bodowsky, publicada no caderno Donna, da Zero Hora, no dia 04 de julho, sobre Santo Amaro do Sul. Com a sensibilidade de quem sabe observar os detalhes, ela descreve o encanto de uma localidade que permaneceu preservada pelo tempo e reconhece a surpresa de ter demorado tanto para conhecê-la. É um sentimento que provavelmente muitos de nós compartilhamos.
Santo Amaro do Sul não é apenas uma vila histórica. É um patrimônio vivo do Rio Grande do Sul. Fundada em 1752, mais antiga que Porto Alegre, preserva uma arquitetura açoriana rara, abriga uma das igrejas mais antigas do Estado e guarda um conjunto urbano que conta a história da formação do povo gaúcho. Caminhar por suas ruas é compreender que o desenvolvimento não precisa apagar as marcas do passado. Pelo contrário, elas são parte da nossa identidade.
Talvez o maior mérito da coluna de Sara tenha sido provocar uma pergunta simples, mas necessária: por que demoramos tanto para conhecer aquilo que está tão perto? Quantas cidades, distritos, museus, praças e construções históricas passam despercebidos porque acreditamos que o interessante sempre está longe?
Valorizar o patrimônio histórico não significa apenas preservar prédios antigos. Significa fortalecer a memória coletiva, incentivar o turismo regional, movimentar a economia local e criar oportunidades para que novas gerações conheçam as raízes da nossa cultura. Um povo que conhece sua história também compreende melhor o seu futuro.
Santo Amaro do Sul merece visitantes, investimentos e divulgação. Merece ser lembrado não apenas por especialistas em patrimônio, mas por todos os gaúchos que desejam conhecer um pouco mais da riqueza cultural do nosso Estado.
Às vezes, o destino mais surpreendente não exige passaporte, aeroporto ou longas horas de estrada. Exige apenas curiosidade para olhar ao redor. Afinal, há lugares extraordinários esperando por nós bem perto de casa. E, quando alguém como Sara Bodowsky lança luz sobre esses lugares, presta um serviço que vai além do jornalismo de turismo. Ajuda a despertar em cada um de nós o orgulho pela história que carregamos e, tantas vezes, esquecemos de visitar.

(*) Marcelo Noronha, jornalista





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