Doações de sangue no RS estão 50% abaixo do necessário, aponta Hemocentro
Aumento de cirurgias e transplantes amplia a demanda por bolsas de sangue, enquanto número de doadores permanece insuficiente
Aumento de cirurgias e transplantes amplia a demanda por bolsas de sangue, enquanto número de doadores permanece insuficiente Os estoques de sangue no Rio Grande do Sul seguem abaixo do ideal diante do aumento da demanda por procedimentos médicos, como cirurgias, transplantes e tratamentos oncológicos. Atualmente, o número de doadores diários está cerca de 50% abaixo do necessário para atender a rede de hospitais abastecida pelo Hemocentro do Estado (Hemorgs).
Cada doação corresponde a cerca de 380 a 400 mililitros de sangue e pode beneficiar até quatro pacientes, entre pessoas submetidas a cirurgias, portadores de doenças hematológicas, pacientes com câncer e transplantados.
O Hemorgs é responsável pelo fornecimento de sangue para aproximadamente 40 instituições de saúde que não possuem estrutura própria para coleta. Além disso, hospitais com bancos de sangue próprios podem recorrer ao hemocentro estadual quando enfrentam redução nos estoques.
Demanda cresce com aumento de procedimentos
O avanço na realização de cirurgias e transplantes elevou a necessidade de bolsas de sangue em todo o Estado. Somente no primeiro semestre deste ano, o Rio Grande do Sul realizou quase 1,1 mil transplantes de órgãos, número próximo ao total registrado durante todo o ano de 2025.
Apesar desse crescimento, a quantidade de doadores permanece abaixo do recomendado. O percentual de pessoas que doam sangue no Estado também está distante do índice considerado ideal pelos órgãos de saúde, o que dificulta a manutenção dos estoques.
Historicamente, os períodos mais críticos para os bancos de sangue ocorrem entre as festas de fim de ano e o Carnaval, quando há redução nas doações devido às férias e viagens, ao mesmo tempo em que cresce a demanda por transfusões em razão do aumento de acidentes nas rodovias.
Procedimento é rápido e seguro
O processo de doação leva menos de 40 minutos, desde o cadastro até o término da coleta. Antes da retirada do sangue, o voluntário passa por uma entrevista para verificar as condições de saúde e confirmar se está apto para doar.
É recomendado que o doador esteja bem alimentado, hidratado, tenha dormido adequadamente e não apresente sintomas de gripe, resfriado ou febre no dia da coleta.
Após a doação, o voluntário permanece em observação por cerca de 15 minutos, recebe um lanche e é orientado sobre os cuidados nas horas seguintes. Em alguns casos, podem ocorrer tontura ou queda de pressão, principalmente entre doadores de primeira viagem.
Quem pode doar
Podem doar sangue pessoas com idade entre 16 e 69 anos que atendam aos critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis, enquanto pessoas com mais de 60 anos somente podem doar caso já tenham realizado doações anteriormente.
Também é necessário pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em boas condições de saúde. Gestantes, mulheres que estejam amamentando bebês com menos de um ano e pessoas em períodos determinados após parto ou aborto não podem realizar a doação.
Quem fez tatuagem, piercing ou acupuntura recentemente deve respeitar os prazos de inaptidão previstos pelas normas sanitárias. Algumas doenças, infecções, uso de determinados medicamentos e situações específicas identificadas durante a triagem também podem impedir temporária ou definitivamente a doação.
Campanhas no interior
Para ampliar o número de doadores, o Hemorgs realiza campanhas itinerantes em municípios que não possuem postos de coleta. As ações contam com unidades móveis e parcerias com prefeituras para facilitar o acesso da população ao serviço.
Além de contribuir para salvar vidas, a doação regular ajuda a manter os estoques em níveis seguros e garante o atendimento de pacientes que dependem de transfusões em hospitais de diferentes regiões do Rio Grande do Sul.





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