Inflação desacelera em junho, mas segue pressionada por alimentos e energia elétrica
IPCA-15 ficou em 0,41% no mês, acumulando alta de 4,80% em 12 meses; alimentos, bebidas e habitação foram os principais responsáveis pela elevação dos preços
Alimentos continuam pesando no bolso A prévia da inflação oficial do país perdeu força em junho, mas continua impactando o orçamento das famílias brasileiras. Dados divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,41% no mês, abaixo dos 0,62% observados em maio.
Apesar da desaceleração, o indicador acumula elevação de 3,45% no primeiro semestre e de 4,80% nos últimos 12 meses, percentual superior aos 4,64% registrados no período imediatamente anterior.
Entre os grupos pesquisados, os maiores impactos vieram de Alimentação e Bebidas e Habitação, que juntos responderam por cerca de dois terços do resultado do mês.
Alimentos continuam pesando no bolso
O grupo Alimentação e Bebidas apresentou alta de 0,74% em junho, permanecendo como o principal responsável pela inflação do período. Embora o índice tenha sido menor que o registrado em maio (1,38%), diversos produtos básicos registraram aumentos expressivos.
A batata-inglesa liderou as altas, com avanço de 29,42%, seguida pelo tomate (17,27%), feijão-carioca (14,29%) e cebola (9,54%).
No acumulado do ano, alguns itens tiveram aumentos superiores a 100%. É o caso do tomate, que acumula alta de 103,84%, da cenoura (103,10%) e da batata-inglesa (100,20%).
Por outro lado, alguns produtos apresentaram redução de preços, como o café moído, que caiu 3,69%, e as frutas, com recuo de 0,96%.
A alimentação fora de casa também registrou aumento, embora em ritmo mais moderado. As refeições subiram 0,39%, enquanto os lanches tiveram alta de 0,45%.
Energia elétrica impulsiona grupo Habitação
O grupo Habitação registrou aumento de 0,72% em junho. O principal fator foi a energia elétrica residencial, que subiu 2,04% e representou o maior impacto individual sobre o índice geral.
Segundo o IBGE, o resultado reflete a vigência da bandeira tarifária amarela e reajustes aplicados em diversas capitais brasileiras.
Também contribuíram para o aumento os reajustes nas tarifas de água e esgoto em algumas regiões do país.
Combustíveis ajudam a conter inflação
O grupo Transportes foi o único a apresentar resultado negativo relevante, com variação de -0,03%.
A principal influência veio da queda dos combustíveis, que recuaram 1,22% em média. O etanol apresentou redução de 5,30%, enquanto a gasolina ficou 0,73% mais barata. O óleo diesel também registrou queda de 1,47%.
Em contrapartida, as passagens aéreas tiveram aumento de 7,24%, pressionando parcialmente o grupo.
Saúde e cuidados pessoais também sobem
O setor de Saúde e Cuidados Pessoais registrou alta de 0,47%, impulsionado principalmente pelo aumento dos artigos de higiene pessoal e pelos reajustes dos planos de saúde autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Porto Alegre registra alta acima da média nacional
Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Brasília apresentou a maior variação mensal, com alta de 0,93%.
Já Porto Alegre registrou inflação de 0,50% em junho, acima da média nacional de 0,41%. No acumulado de 12 meses, a capital gaúcha apresenta inflação de 4,99%.
Os menores resultados foram observados no Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador, todos com alta de 0,28%.
O que é o IPCA-15
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do país. O indicador mede a variação dos preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e utiliza metodologia semelhante à do IPCA tradicional.
Para o levantamento divulgado nesta quinta-feira, o IBGE comparou os preços coletados entre 16 de maio e 16 de junho com aqueles observados entre 16 de abril e 15 de maio de 2026.





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