OMS alerta que desinformação ameaça confiança nas vacinas
Especialistas destacam riscos para programas de imunização diante de incertezas no financiamento e avanço de informações falsas
Especialistas destacam riscos para programas de imunização diante de incertezas no financiamento e avanço de informações falsas Programas de vacinação em todo o mundo enfrentam desafios crescentes devido à disseminação de desinformação e às incertezas sobre o financiamento de pesquisas, segundo alerta divulgado nesta quarta-feira (18) por especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O tema foi debatido durante a reunião semestral do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Vacinação (SAGE), que analisou especialmente o cenário das vacinas contra a COVID-19 e a febre tifoide. De acordo com o grupo, a queda na confiança da população e as dificuldades econômicas enfrentadas por diversos países podem comprometer a continuidade e a ampliação das campanhas de imunização.
Confiança pública em risco
Em comunicado, o SAGE destacou que combater a desinformação será uma das prioridades em 2026. A diretora do Departamento de Imunização da OMS, Kate O’Brien, afirmou que o mundo vive um período de mudanças significativas no perfil das doenças e nas estratégias de vacinação, influenciado por conflitos internacionais, restrições orçamentárias e instabilidade econômica.
A especialista reforçou que a confiança nas vacinas pode ser afetada por informações distorcidas, o que aumenta o risco de retrocessos em programas nacionais de imunização. Segundo a OMS, as vacinas foram responsáveis por salvar cerca de 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos.
Debate sobre declarações antivacina
A organização também voltou a destacar que não há evidências científicas que associem vacinas ao autismo. O posicionamento foi reiterado após declarações do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que fez afirmações questionando a segurança das imunizações.
Preocupação com a poliomielite
Outro ponto de atenção é a persistência da circulação do poliovírus selvagem em países como Paquistão e Afeganistão, além da detecção de uma cepa relacionada à vacina oral em regiões da África.
De acordo com o presidente do SAGE, Anthony Scott, conflitos no Oriente Médio podem favorecer a disseminação do vírus e dificultar a meta global de erradicação da doença.
Recomendação para vacinação periódica
No caso da covid-19, o grupo recomendou avaliar a aplicação sistemática de doses de reforço duas vezes por ano para pessoas dos grupos de maior risco, devido à redução da proteção cerca de seis meses após a imunização.






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