Eskimó Sorvetes confirma instalação em São Jerônimo
Conheça os detalhes do projeto da empresa que vai investir R$ 40 milhões e gerar 240 empregos diretos
Sedinei Fernandes, da Eskimó Sorvetes, falou sobre a empresa na Câmara de Vereadores Na manhã desta terça-feira, 3, o contabilista Sedinei Fernandes, contratado pela Eskimó Sorvetes, esteve na Câmara de Vereadores de São Jerônimo para apresentar o projeto de expansão da empresa no estado. Entre eles está a fábrica a ser instalada no município. Na oportunidade, Fernandes também explicou sobre a investigação de sonegação fiscal de que a empresa é alvo em Santa Catarina. O contabilista confirmou as investigações, bem como afirmou que a instalação em São Jerônimo não será ameaçada por esta questão.
A construção da unidade se configura na primeira grande indústria a se instalar do município depois da Multilab, que ocorreu há cerca de 20 anos, destacando a atuação do secretário Municipal de Desenvolvimento, professor Rudney Santos, na prospecção do investimento da empresa.
- Sou nascido e criado em São Jerônimo e sempre tive um desconforto porque nunca consegui trabalhar aqui. Nunca consegui gerar riqueza aqui. Pela primeira vez na minha história de vida, eu consigo fazer isso. Estou emocionado por conseguir quebrar alguns paradigmas. São Jerônimo está há trinta anos numa guerra política e, então, digo aos vereadores que vocês são verdadeiros vencedores porque estão unindo as forças políticas para o desenvolvimento de São Jerônimo. Temos o interior que tem um potencial gigante e a vinda da Eskimó será um alento para o aumento da renda e melhorar o bem-estar social – disse referindo-se à cadeia produtiva do sorvete.
Sonegação fiscal
Em fevereiro, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou a Operação Polo Norte visando combater crimes de sonegação fiscal em Santa Catarina, tendo como alvo principal a Eskimó Sorvetes. A notícia, atualizada e veiculada pelo Portal de Notícias ontem, acirrou os ânimos entre a situação e os adversários políticos da atual administração municipal, especialmente fora do ambiente do Legislativo. Também gerou apreensão na comunidade jeronimense e nos vereadores quanto à possibilidade de cancelamento do projeto, já que muitos desconheciam a Operação e seus resultados.
Fernandes, que foi contratado pela empresa em dezembro para resolver as questões fiscais e tocar o projeto de expansão, confirmou as investigações e disse que a empresa tem ciência de que será autuada. Mas, segundo ele, o valor de R$ 50 milhões divulgado pelo Gaeco é muito superior ao que a empresa realmente terá de pagar quando for encerrada a apuração. Disse, ainda, que a Eskimó está colaborando com as autoridades catarinenses e que não possui nenhuma pendência fiscal em relação aos impostos declarados. Por isso, afirmou, não terá dificuldades para aprovar financiamentos, caso seja necessário.
Instalação em São Jerônimo
Segundo dados da empresa, 39% de todas as vendas realizadas pela Eskimó Sorvetes são no Rio Grande do Sul, fator que motivou a expansão para o Estado.
Falando pelo empresário Pedro Reis, proprietário da Eskimó Sorvetes, Fernandes afirmou que o projeto de instalação da unidade no município não será atingido.
A empresa projeta investir um total de R$ 40 milhões e vai gerar 240 empregos diretos. A estimativa é produzir 31,5 milhões de litros de sorvete/ano quando estiver em pleno funcionamento, prazo estipulado em três anos, sendo no primeiro ano uma produção equivalente a 10,5 milhões de litros/ano. Se necessário, a Eskimó possui recursos próprios para tocar o projeto.
A empresa planeja, também, a instalação de uma terceira fábrica, no Mato Grosso. Com mais esta unidade, deverá atingir 1.800 lojas e 5.400 pessoas envolvidas no país.
Infraestrutura e isenções
A empresa necessita de uma área de 5 hectares às margens da cidade e com bom acesso para logística. A infraestrutura inicial será de 3 mil m², divididos entre quatro pavilhões de 750 m² cada. Em contrapartida o Município de São Jerônimo oferece o terreno e as obras de infraestrutura, tais como terraplenagem, horas máquina, construção das lagoas para tratamento de efluentes, além de perfuração de poços artesianos, materiais como areia e brita e rede de energia trifásica.
A empresa também pede a isenção de todas as taxas de iluminação pública, IPTU e outras, pelo prazo de 15 anos. O Município também deverá devolver 75% do retorno de ICMS gerado aos cofres municipais. Segundo as estimativas da Eskimó, este valor é de aproximadamente R$ 77,9 milhões/ano, do qual o Município ficaria com R$ 19,4 milhões e devolveria R$ 58,5 à empresa.
Fernandes revelou que havia quatro municípios gaúchos interessados em receber a unidade. A opção por São Jerônimo se deu pela boa logística e receptividade que os empresários tiveram ao projeto apresentado.
O Município já confirmou o atendimento das exigências. Além disso, também foi atualizada a legislação municipal voltada ao incentivo à instalação de empresas, o Prodese.
Geração de empregos
No primeiro ano, a fábrica de São Jerônimo deverá gerar 66 empregos diretos, passando para 120 no segundo ano e, no terceiro, 240. A intenção da empresa é fazer a contratação dos trabalhadores por meio da agência da FGTAS/Sine, o que, segundo Fernandes, seria um filtro para que a mão de obra seja de moradores locais.
Indiretamente, a empresa projeta gerar cerca de 900 postos com a abertura de 302 novas lojas no estado em três anos.
Contrapartidas da empresa
Além da ampliação das lojas no estado, a empresa se compromete em contratar 90% da mão de obra em São Jerônimo. Inicialmente, a Eskimó planeja adquirir vinte caminhões para a unidade e emplacar todos no município para gerar o retorno de 50% do IPVA.
Cadeia produtiva
A instalação da unidade de São Jerônimo vai fomentar outros setores da cadeia produtiva do sorvete. Como a empresa utiliza polpa de frutas, a produção de morango, limão, abacaxi e outras deverá ser incentivada em São Jerônimo e região. A cadeia de produção de leite também é uma atividade que será aquecida. Fernandes sugere a organização deste produtores em cooperativas ou associações.
Além disso, outras indústrias poderão se instalar na cidade com a implantação da unidade.





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