MARCELO NORONHA | Independência em suspenso
A independência não é um presente, é uma construção
Que tipo de pátria queremos? Marcelo Noronha*
Sete de Setembro. Data marcada nos livros, hasteada nas bandeiras, ensinada desde cedo como o dia em que o Brasil se tornou dono do próprio destino. Mas será mesmo que essa independência é plena? Ou será que ainda vivemos acorrentados a interesses externos que ditam, silenciosamente, os rumos da nossa soberania?
Hoje, enquanto celebramos a lembrança do grito às margens do Ipiranga, somos confrontados com outros gritos, menos românticos e mais duros: os das taxações vindas dos Estados Unidos, as pressões econômicas que moldam nossas escolhas e desafiam nosso direito de decidir com autonomia. É como se a independência de 1822 tivesse ficado suspensa no tempo, pedindo uma atualização que nunca se completou.
Mas não se trata apenas de fronteiras ou de tratados comerciais. A verdadeira independência está no exercício cotidiano da democracia — essa que nos permite escolher quem governa e como governa. Não há pátria livre sem cidadãos conscientes. O voto, nesse sentido, é mais do que uma formalidade: é a nossa arma silenciosa, capaz de fazer do discurso de independência um projeto real de país.
O Sete de Setembro, portanto, deve ser menos sobre desfiles e mais sobre reflexão. Que tipo de pátria queremos? Uma que se dobre às pressões externas ou uma que saiba negociar sem perder sua essência? Uma que se contente com a narrativa de que é independente ou uma que se comprometa em ser, de fato, soberana?
A independência não é um presente, é uma construção. Talvez, neste Sete de Setembro, o maior ato de patriotismo seja repensar a forma como usamos nossa liberdade política para fortalecer a nação.

Marcelo Noronha — jornalista






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