CNM, Famurs e prefeitos apoiam adiar eleição para 2022

Confederação que representa os municípios encaminhou carta aberta ao Congresso apontando razões pelas quais o pleito não deve ocorrer

Por Portal de Notícias 27/05/2020 - 08:14 hs
Foto: Banco de Imagens
CNM, Famurs e prefeitos apoiam adiar eleição para 2022
CNM, Famurs e prefeitos apoiam adiar eleição para 2022

Um dia após o ministro Luís Roberto Barroso ter tomado posse na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) encaminhou ontem carta ao Congresso Nacional pedindo a não realização das eleições municipais neste ano, previstas para outubro. O documento traz uma série de apontamentos que, segundo a CNM, violam as condições ideais para a realização da eleição.
Um dos fatores é que 1.313 prefeitos em exercício têm mais de 60 anos e, destes, 1.040 podem correr à reeleição. A carta cita ainda o fato de que a “democracia assegura a todos os cidadãos o direito de votar e de ser votado”, além do fato de que haveria risco à democracia se a participação popular fosse “tolhida por medo da infecção, pelo desconhecimento das plataformas políticas e até mesmo dos candidatos”. A carta conclui pela “não realização das eleições municipais no corrente ano” e “no sentido da unificação dos mandatos com a realização de uma eleição geral em 2022”. O documento assinado pelo presidente da CNM, Glademir Aroldi, foi elaborado após a assembleia geral da CNM, na segunda-feira.
No Estado, ontem, a Famurs e os presidentes e representantes das 27 Associações Regionais de Prefeitos também discutiram o assunto e, de maneira unânime, apoiaram o cancelamento do pleito neste ano. O presidente da Famurs, Dudu Freire, afirmou existir muitas incertezas, como o avanço da pandemia no país nos próximos meses e as dificuldades enfrentadas pelos prefeitos nas suas gestões, que vão seguir até o final do ano.
- Os gestores estão intranquilos de tomar medidas necessárias e sofrerem contestações. Estão mais suscetíveis, por ser um ano eleitoral - enfatizou.
Freire listou ainda o impacto no calendário eleitoral, que será maior a partir de julho, quando devem ocorrer as convenções. Reconheceu, porém, que há discussão sobre qual seria o melhor momento para o pleito, ou em alguma data de 2021 ou a unificação em 2022, com as eleições gerais.

MUDANÇA GERA DIVERGÊNCIA ENTRE GESTORES

A mudança no calendário eleitoral gera divergências entre prefeitos. Ontem, os prefeitos da Associação de Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) discutiram o assunto. Apesar de opiniões diferentes, os prefeitos defendem que haja espaço para eles se manifestarem.
- A pauta avança no Congresso e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sem que os prefeitos sejam devidamente escutados - critica a presidente da entidade e prefeita de Nova Santa Rita, Margarete Ferretti (PT).
O prefeito de Esteio, Leonardo Pascoal (Progressistas) defende que o calendário seja mantido.
- Construímos planos de governo de 2016 até 2020, e ouvir a população é necessário - enfatiza.
O prefeito de Cachoeirinha, Miki Breier (PSB), também defende o pleito neste ano.
Na outra ponta, o prefeito de Guaíba, José Sperotto (PTB), apoia que haja a transferência da eleição para 2022, diante do momento e da fragilidade da economia.
- Precisamos reequilibrar a sociedade e canalizar recursos para saúde - diz, sendo seguido, pelo prefeito de Viamão, Valdir Jorge Elias (MDB).
Para Daiçon Maciel (MDB), de Santo Antônio da Patrulha, fazer as eleições em dezembro “compromete o fim de mandato, inviabiliza a transição e pode, inclusive, trazer problemas para o processo de prestação de contas.” Todos os prefeitos acreditam que realizar o pleito no último mês do ano seria um erro, porque atrapalharia o fluxo da gestão pública.

DISCUSSÃO

O presidente do TSE, Luiz Roberto Barroso, voltou a defender ontem o mínimo adiamento das eleições diante da epidemia de Covid-19 no país. Para o ministro, prorrogar os mandatos vigentes esbarra em um impasse constitucional e democrático.
- O mandato desses vereadores e prefeitos é um mandato de quatro anos. Não há como, legitimamente, você prorrogar eleições sem um motivo de força maior. A periodicidade das eleições e a possibilidade de alternância do poder são fundamentais para a democracia -  declarou.
Para mudar a data da eleição é preciso haver a aprovação no Congresso de uma PEC. O projeto estudado no Congresso Nacional, que prevê adiar o primeiro turno deste ano para 15 de novembro ou 6 de dezembro. Na sexta-feira, Barroso e o presidente do Congresso, David Alcolumbre, vão se reunir para discutir o assunto.

As notícias são do Correio do Povo

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