João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Eu & meus ídolos
A vaidade é um bombom que o intestino torna humildade
João Adolfo Guerreiro
Eu, em certa medida, me acho. E creio ter sólidos motivo pra isso, a partir de meus próprios critérios: já interagi artisticamente com meus ídolos locais! Ou seja, fui de fã a parceiro! Pra mim isso é muita coisa. Autoestima e amor-próprio não são tudo, mas são 100%, como disse o Falcão - o cantor.
Já toquei com o Paulo Rebelo num Festival Jacuí da Canção, em Charqueadas. Rebelo havia ganho o festival anterior com a canção Pó de Carvão: "Estou sentindo o cheiro da poluição Estou sentindo o cheiro do pó de carvão". No ano seguinte, uma de suas canções foi Menino Esperança, que eu, o Rebelo e o Gilmar "Bicudo" Oliveira subimos ao palco pra defender: "Menino que o mundo esqueceu Que anda jogado pelo chão (...) Se todos olhassem pra ti E pensassem 'eu ja fui criança' Talvez do canto dos seus olhos Rolasse alguma esperança". Congelei de pavor quando vi o público que lotava o ginásio da Afaço, quase errei o solo da introdução! Ah, e escrevendo sobre o Rebelo, impossível esquecer do gaiteiro Valter Oliveira e da cantora Ivone Guerreiro, saudosos, para os quais fazia a base ao violão pra eles mandarem "O que tem a Rosa Tão desfolhada Foi o sereno Da Madrugada". A D O R A V A, foi quando eu comecei a me sentir gente e ter certa segurança, jamais esqueço.
Depois, toquei com o cantor e compositor Alberto André, ex-Voz Ativa. Gravei com ele os CDs Bem Simples e Mostra de Música Encanto da Terra, além de acompanhá-lo em rádio e festivais. E recentemente dividimos o palco com Carlos Patrício no restaurante Rancho 401 em duas canções, no show comemorativo de 40 anos de lançamento que Carlos fez para seu primeiro disco, o LP Vertente. Uau syl, nunca pensei que dividiria o palco com esses caras um dia, mas aconteceu. E no estabelecimento do romancista Henrique Figueiró, ainda por cima. Foi uma noite inesquecível.
Ano passado, meus pares de letras me fizeram patrono do XI Sarau Literário de Charqueadas, reconhecimento que me deixou bem bobinho, ainda mais quando o grande artista Manoel Henrique me presenteou com uma aquarela, feita por ele, representado-me no evento. Todavia, confesso que o momento mor para meu ego artístico foi quando o grande e referencial Saldino Antônio Pires me citou em seu segundo livro, Histórias do Povo de Charqueadas (2012). Mencionou uma crônica minha. Uau syl, aquilo foi o auge! Imagina? O livro anterior dele, de1986, teve um grande impacto intelectual em mim, é uma das referências fundamentais para o cronista que me tornei.
Gente, só faltou a Valda Tissot me dedicar um poema, o João Turbina bater uma foto minha e eu virar sabor de hambúrguer no Tempero Literário pra meu ego subir às alturas e me deixar me achando o senhor Spock de Jornada nas Estrelas, pois escrevo pro Portal e já tenho foto minha com o Renato Portaluppi. Eh eh eh, a vaidade é um doce bombom que a humildade intestinal transforma realisticamente em cocô. Por isso menos, claro, bem menos.
Entretanto, meus ídolos são daqui, pessoas de carne e osso que conheci e conheço e com quem tive a oportunidade de interagir, eles generosamente me validando. Claro, nesta crônica estou como o leão lambendo os próprios testículos, reconheço, mas não queria deixar passar a oportunidade de dizer pra essas pessoas o quanto, na verdade, as admiro e ressaltar o seu trabalho para a música e a literatura charqueadense. Esta crônica foi apenas uma autoironia egocêntrica pra homenageá-los.









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