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São Jerônimo, RS,16/09/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Uma crônica de segunda categoria

Uma crônica de segunda para uma segunda-feira

Arquivo Pessoal
JOÃO ADOLFO GUERREIRO |  Uma crônica de segunda categoria

João Adolfo Guerreiro

Para uma segunda-feira, uma crônica de segunda categoria. Mas o que seria uma crônica de segunda categoria? Bah, parece fácil essa resposta, num primeiro momento, todavia tal é enganoso.

Bom, uma crônica de segunda categoria está logo abaixo, nos critérios subjetivos e objetivos de qualidade literária, das de primeira categoria. Então nova pergunta se impõe: quais são as de primeira categoria? Aqui devo dizer que esta crônica já está arriscando a se tornar um artigo acadêmico de teoria literária...

Não, bem capaz, Deus nos livre, vamos simplificar as coisas a fim de salvar esta crônica e facilitar o meu trabalho: crônicas de primeira categoria são aquelas produzidas por cronistas de primeira categoria, ou seja, aqueles famosos que todos conhecem e que, desde o surgimento do gênero na imprensa diária até hoje, escrevem para os grandes jornais e revistas e vendem muitos livros. Assim, uma crônica de primeira categoria, simplificando, é toda aquela escrita por um escritor famoso e de sucesso, que ganhe dinheiro fazendo isso, não importando a qualidade do texto, se original ou cheio de chavões. Confiemos no critério dos leitores, portanto, no gosto popular desse gênero literário essencialmente popular, por mais que esse seja um critério subjetivamente simplório e objetivamente simplista. Em minha defesa por cometer essa simplificação digo que sou apenas um cronista, não um crítico literário. Logo, não cometerei o crime do pedantismo ao cronicar.

Bom, aqui já enquadro, portanto, minhas crônicas como de segunda categoria, pois não ganho pra escrever, sou um cronista semi-profissional - assim, pelo menos, me considero. Então esta crônica que vocês estão lendo é exemplo de crônica de segunda categoria. Na boa hipótese. Pode ser de terceira, né? Como saberei? Estou começando a ficar preocupado com meus pensamentos, minhas reflexões estão se voltando contra mim. Não, são de segunda e pronto. A crônica é minha e os pensamentos são meus, logo, eu é que decido. E tenho um bom argumento para isso: se já escrevo há trinta anos pra imprensa regional, é sinal que minhas crônicas tem o seu valor para o público e podem ser enquadradas como de segunda categoria. Vice-campeãs, medalhas de prata, reservas da Seleção Brasileira, banco do Grêmio, regra 2 de gente rica, etc. Se me pagassem, seriam elas de primeira. Isso! Ah, sou um gênio! Um gênio idiota, assim como se declarava o saudoso mestre cronista Paulo Sant'Ana. 

E não pensem que estou sendo humilde não, pois não é pouca coisa escrever uma crônica de segunda, que rimam com bunda, mas não são uma bosta e tampouco estão abaixo do fiofó dos cachorros, eis que temos até as de quinta categoria. Só que sobre essas falarei, pertinente e apropriadamente, na próxima quinta-feira feira. Aguardem.

Uma boa semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.




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