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São Jerônimo, RS,13/03/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO GUERREIRO | Porto Alegre, classes sociais e racismo: ‘trilogia’

Verissimo, Faleiro e Tenório

Reprodução
JOÃO GUERREIRO | Porto Alegre, classes sociais e racismo: ‘trilogia’ Contudo, como na letra do Fogaça, Porto Alegre é demais.

João Adolfo Guerreiro

Caminhos cruzados e Os supridores, classe social; O avesso da pele, racismo: eis os três romances que o Clube do Livro de Charqueadas debateu entre dezembro e fevereiro, numa "trilogia" que teve por unidade ser ambientada em Porto Alegre.

O mais genial deles? Caminhos cruzados, de Erico Verissimo. O que mais gostei? Os supridores, de José Faleiro. O avesso da pele, de Jeferson Tenório, um texto mui consistente, fica entre os dois. São minhas opiniões, gosto pessoal. Os livros tem o mérito de analisar, complexificar e revelar a Capital no tempo e no espaço, histórica e geograficamente, tanto em evolução quanto em permanência de sua superestrutura social e ideológica, sociologicamente. Foi-me mui proveitosa a leitura desta "trilogia". Recomendo-a.

Caminhos é mais abrangente, ousado, revela peculiaridades das classes sociais da década de 1930 e, indo além, fala da interação entre as mesmas, sua mobilidade social e seu fatalismo. Faleiro é específico, aborda as estratégias de sobrevivência do baixo proletariado e sua tentativa de ascensão social via o tráfico de drogas. Tenório é ainda mais específico, mostrando a realidade de uma família de pretos, sua interação com os brancos num ambiente racista, onde as vítimas muitas vezes o naturalizam e reagem contra aqueles que possuem consciência de sua condição e a manifestam.

Caminhos e O avesso são mais parecidos quanto à narrativa, reflexivas, com finais abertos, tecnicamente mui bem escritos e que tem em comum o fato de terem gerado muita polêmica quando publicados. Os supridores é uma força da natureza gerada por um escritor em seu primeiro romance, investe na ação de forma realista e eficiente, usando-a pra sublinhar as reflexões de classe de inspiração marxista. Empolga, mas pra mim tem o defeito de possuir final pouco crível que, a meu ver, exagera na dose e acaba caindo numa caricatura da realidade, embora isso só aconteça nesta parte do texto.

Em suma, é isso. Foi-me mui proveitosa a leitura dessa "trilogia" da "Cidade Sorriso", revelando suas cáries, implantes e, de certo modo, sua boca parcialmente banguela. Contudo, como na letra do Fogaça, Porto Alegre é demais.




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