“A luz do cabaré já se apagou em mim...”

Disse que, nas viagens, já famosa, sempre o convidava para sentar junto à mesa nas refeições nos restaurantes, nas paradas durante os trajetos

“A luz do cabaré já se apagou em mim...”
Angela Maria, Agnaldo Timóteo e Cauby Peixoto

“E o tango na vitrola também chegou ao fim...” Quando soube da morte de Ângela Maria no domingo passado, enquanto ouvia notícias numa rádio, a primeira pessoa da qual eu lembrei foi Agnaldo Timóteo.
Há um ano, em 2 de outubro de 2017, assisti a um show dele no teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. Ele contou fatos de sua carreira e, dentre eles, mencionou o período inicial, em que era motorista de Ângela. Emocionado, teceu muitos elogios a generosidade e simplicidade da cantora, revelando grande admiração e afeição por ela. Disse que, nas viagens, já famosa, sempre o convidava para sentar junto à mesa nas refeições nos restaurantes, nas paradas durante os trajetos.
“Parece me dizer que a noite envelheceu...” Ele também falou do “colega e amigo” Cauby Peixoto com grande emoção, lamentando sua morte no ano anterior, em 15 de maio. Um dos grandes momentos de sua ótima apresentação, onde mostrou uma voz ainda poderosa e uma capacidade de interpretação requintada, foi quando cantou Conceição, canção famosa de Cauby, do qual a voz aparecia em playback em alguns trechos, proporcionando “dueto” inesquecível.
“E que é hora de lembrar e de chorar”. Agora imagino a dor e a solidão que Timóteo está sentindo. Ele chegou a mencionar isso no show, o fato de ser um dos poucos sobreviventes de sua geração, junto com Ângela Maria. A bela canção cuja letra cito nesse texto, Tango para Tereza, que eu adoro, ele não cantou no show. É um dos sucessos de Ângela. Quando ele vier novamente em Porto Alegre, talvez acrescente esse dueto ao repertório. Com certeza estarei lá, olhos úmidos de encantamento.
Grande Ângela Maria, foi enterrada ao lado do amigo Cauby e, com certeza, formam uma dupla celestial no plano espiritual onde se encontram.
“Hoje alguém pôs a rodar um disco de Gardel no apartamento junto ao meu, que tristeza me deu...”