Banco de Sangue Virtual ajuda a salvar vidas

Projeto idealizado em uma entrevista de emprego já ultrapassa 2500 pessoas cadastradas no Estado e região Carbonifera

Por Portal de Notícias 28/09/2018 - 09:12 hs
Foto: Reprodução
Banco de Sangue Virtual ajuda a salvar vidas
Cadastro pode ser feito de forma rápida e fácil no site

CARLA MILLER TRAININI

A busca por doadores de sangue é diária em qualquer hospital, seja para pacientes que necessitam de transfusão, uma cirurgia de emergência ou simplesmente hemocentros que precisam manter seus estoques abastecidos. Foi presenciando estas angústias que um publicitário teve a ideia de usar a internet para conseguir ajudar de alguma maneira.
Ricardo Guilherme Xavier Nunes é doador regular há muitos anos. Ano passado, em uma entrevista de emprego, ele teve a ideia de criar um site que possibilitaria identificar onde estão os possíveis doadores e poder direcioná-los a quem possuísse a necessidade de uma bolsa de sangue.
Após algumas dificuldades enfrentadas no decorrer do desenvolvimento da ideia, foi almoçando com um amigo que ele encontrou a parceria que faltava para colocar no ar o seu projeto que ele chamou de “Banco de Sangue Virtual”. Assim nasceu a página https://www.bancodesanguevirtual.com.br
Hoje, aos 53 anos, Nunes gerencia voluntariamente o espaço que conta com mais de 2500 pessoas cadastradas em diversas cidades do Rio Grande do Sul. Na Região Carbonífera, São Jerônimo e Charqueadas são os municípios que possuem mais doadores cadastrados.
- Como eu sou doador de sangue há muitos anos, sempre via a dificuldade que é para as pessoas conseguirem doadores. É uma luta muito grande e cada vez mais assistindo este desespero, eu me sentia angustiado, porque não é fácil encontrar seis doadores, por exemplo. E, às vezes, tem gente que precisa de 200 doadores para uma transfusão. Então, preocupado com aquilo ali eu comecei a pensar em uma forma de ajudar. Montei todo o projeto na minha cabeça e felizmente consegui colocar em prática - explica Nunes, que se identifica como um simples cidadão que encontrou uma maneira de poder ajudar ao próximo, indiretamente salvando vidas.

COMO FUNCIONA O BANCO DE SANGUE VIRTUAL

* É um cadastro rápido, simples e gratuito. Basta entrar no site através do link h2ttps://www.bancodesanguevirtual.com.br/ e clicar no banner “quero salvar vidas”.
* Em seguida abrirá o local para preencher as informações pessoais, como nome completo, um endereço de e-mail e telefone de contato. Se souber o tipo sanguíneo, melhor. Se não souber, existe esta opção também para ser marcada.
* Ao se cadastrar, as informações ficarão armazenadas em um banco de dados.
* Estes dados serão cruzados com os do paciente que necessita de doação para identificar a compatibilidade entre os tipos sanguíneos.
* O doador então será avisado pelos meios de comunicação cadastrados e convidado a fazer a doação, sempre que um paciente próximo precisar de um doador compatível.
* Diretamente do site é possível enviar e-mail com dúvidas, sugestões ou pedido de ajuda.
* O Banco de Sangue Virtual também está no Facebook, no endereço https://www.facebook.com/bancodesanguevirtual. Nele existe um link para cadastro que enviará diretamente para o site do projeto.



ENTREVISTA

Ricardo Nunes
Onde surgiu a ideia de criar um Banco de Sangue Virtual?
Fui para uma entrevista de emprego em uma empresa de comunicação e o entrevistador me perguntou sobre o que eu poderia fazer para ajudá-lo. Respondi que achava que o nome da empresa estava abalado e que precisava fazer uma agenda positiva, porque as matérias sendo publicadas não estavam boas. Foi quando ele me questionou sobre como poderia fazer isso. Eu não fazia a mínima ideia, travei. Só que neste momento uma voz me soprou que eu deveria responder que faria um banco de sangue virtual. O entrevistador insistiu querendo mais explicação sobre a ideia. Novamente a voz foi me relatando tudo o que eu precisava fazer e fui respondendo o passo a passo. No final me perguntou se eu faria isso para ele e eu disse sim. Me contratado na mesma hora.
E foi fácil colocar no ar este projeto?
No momento em que fui contratado já comecei a desenvolver a ideia. Porém, no meio do caminho deu problema e saí da empresa. Só que não desisti do projeto. Parei, mas continuei com ele vivo dentro de mim e decidi continuar por conta. O meu problema era conseguir colocar isso na internet, porque eu tinha a ideia toda na minha cabeça, mas precisava de uma ajuda para jogar na rede. Foi quando encontrei o Igor, da Agência Faro, que prontamente disse que iria me ajudar.
Quanto tempo levou para sair do papel?
Levamos acho que uns oito meses trabalhando até lançar no ar. Na primeira semana conseguimos 62 cadastros, entre amigos e familiares. Então a RBS foi fazer uma matéria sobre a necessidade de doadores de sangue e alguém assoprou que existia esse projeto. Eles vieram na faculdade que eu trabalho para me entrevistar e demos um pulo para 380 após a reportagem ser veiculada. E não parou mais. O site entrou no ar em agosto do ano passado.
De que maneira você ajuda a encontrar doadores de sangue?
As pessoas têm me procurado por telefone, e-mail ou pela página no Facebook. Toda vez que alguém precisa de um doador, a demanda chega, eu entro no site e filtro a busca por um doador compatível e cidade mais próxima do paciente necessitado. Dessa maneira eu consigo enviar o convite, que poderá ser por e-mail ou whatsapp. Neste contato eu vou repassar as informações relevantes, como o nome do paciente, local e horário da coleta.
Já que o trabalho é totalmente voluntário, como você atua na divulgação?
Comecei pelos eventos da faculdade onde trabalho. Cada um deles eu colocava uma ilha e ficava divulgando o site, sempre fazendo uma ação e outra para espalhar a ideia. Foi assim que conseguimos chegar aos 1.000 cadastros, o que aconteceu na última sexta-feira, 21. O pessoal da RBS pediu que eu comunicasse quando alcançasse essa marca. Então eu avisei e novamente fizeram uma reportagem que veiculou no RBS Notícias nessa terça-feira, 25. Hoje, quinta-feira, já ultrapassamos os 2.500 cadastros.
Como você se sente em relação a este projeto que ajuda a salvar vidas?
Eu interpreto tudo isso como uma missão, uma ordem Superior. Era para eu colocar essa ideia no ar. A voz que me soprou naquele momento da entrevista que eu não sabia o que responder me mostrou que essa era a minha missão, a minha maneira de ajudar ao próximo. Tudo isso me emociona muito, é gratificante.

>> PERFIL

Ricardo Nunes – idealizador do Banco de Sangue Virtual
- Ricardo Guilherme Xavier Nunes, 53 anos, publicitário.
- Natural de Cachoeira do Sul
- Atualmente é Supervisor de Negócios da Faculdade IMED, em Porto Alegre, e gerencia a página do projeto voluntariamente.
- Desenvolveu o site em parceria com o amigo Igor Farias Saldanha, diretor e CEO da Agência de Publicidade Faro.

ENTENDA QUEM PODE DOAR PARA QUEM

 

>> FIQUE POR DENTRO:
 * QUEM PODE SER UM DOADOR DE SANGUE
- É preciso estar em boas condições de saúde
- Apresentar documento oficial de identidade com foto
- Ter idade entre 16 e 69 anos (voluntários com menos de 18 anos devem estar acompanhados pelos pais ou responsável legal)
- Pesar no mínimo 50 kg
- Não estar em jejum
- Ter dormido pelo menos 6 horas antes da doação
- Não ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores
- Não fumar pelo menos duas horas antes.
* QUEM NÃO PODE DOAR SANGUE
- Estar com anemia, hipertensão ou hipotensão arterial, grávida ou amamentando (a menos que o parto tenha ocorrido há mais de 12 meses), aumento ou diminuição dos batimentos cardíacos no teste realizado imediatamente antes da doação.
* Estes estarão impedidos de doar sangue:
1. por 48 horas:
- Se recebeu vacina preparada com vírus ou bactéria mortos, toxóide ou recombinantes. Ex.: cólera, poliomielite (salk), difteria, tétano, febre tifóide (injetável), meningite, coqueluche, pneumococo.
- Se recebeu vacina contra gripe.
2. por sete dias:
- se teve diarreia, após terminarem os sintomas de gripe ou resfriado, após a cura de conjuntivite
- Para casos de extração dentária ou tratamento de canal é necessário verificar a medicação ingerida.
3. por duas semanas:
- Após o término do tratamento de infecções bacterianas (uso de antibióticos), a cura de rubéola e de erisipela.
4. por três semanas:
- Após a cura de caxumba e a cura de varicela (catapora).
5. por quatro semanas:
- Se recebeu vacina de vírus ou bactérias vivos e atenuados. Ex.: poliomielite oral (sabin), febre tifóide oral, caxumba, febre amarela, sarampo, bcg, rubéola, catapora, varíola etc.
- Se recebeu soro antitetânico e após a cura de dengue.
- Ter feito cirurgia odontológica com anestesia geral
- Após o retorno, quem esteve em região onde há surto de Febre Amarela.
6. por oito semanas (somente para homens):
- Após uma doação de sangue, o período deve ser ampliado para 16 semanas se houve doação dupla de hemácias por aférese.
7. por 12 semanas (somente para mulheres):
- Após uma doação de sangue, o período deve ser ampliado para 24 semanas se houve doação dupla de hemácias por aférese.
- Após parto normal ou abortamento.
8. por três meses (independente se homem ou mulher):
-Se foi submetido a apendicectomia, hemorroidectomia, hernioplastia, ressecção de varizes ou  amigdalectomia.
9. por seis meses a 01 ano:
- Se foi submetido a uma cirurgia de médio ou grande porte como por exemplo: colecistectomia, histerectomia, tireoidectomia, colectomia, esplenectomia pós trauma, nefrectomia etc.
- Após a cura de toxoplasmose comprovada laboratorialmente.
- Qualquer procedimento endoscópico (endoscopia digestiva alta, colonoscopia, rinoscopia etc): aguardar 6 meses.
- Se fez piercing (se piercing na cavidade oral ou genital, devido ao risco permanente de infecção, implica em inaptidão por 12 meses após a retirada).
- Se contraiu Febre Amarela; aguardar 6 meses após recuperação completa (clínica e laboratorial).
10. por 12 meses:
- Se recebeu uma transfusão de sangue, plasma, plaquetas ou hemoderivados, enxerto de pele.
- Se sofreu acidente se contaminando com sangue de outra pessoa ou sofreu acidente com agulha já utilizada por outra pessoa.
- Se teve contato sexual com alguma pessoa com aids ou com teste positivo para hiv.
- Se teve contato sexual em troca de dinheiro ou de drogas ou seus respectivos parceiros sexuais; .
- Se teve contato sexual com usuário de droga endovenosa, com pessoa portadora de hepatite ou que tenha recebido transfusão de sangue nos últimos 12 meses.
- Se fez tatuagem ou maquiagem definitiva.
- Se teve sífilis ou gonorreia.
11. por cinco anos:
- Após a cura de tuberculose pulmonar.
* QUEM JAMAIS PODERÁ SER DOADOR DE SANGE
- Tem ou teve um teste positivo para HIV.
- Teve hepatite após os 10 anos de idade, já teve malária, doença de chagas.
- Recebeu enxerto de duramater, teve algum tipo de câncer, incluindo leucemia.
- Tem graves problemas no pulmão, coração, rins ou fígado, problema de coagulação de sangue.
- É diabético com complicações vasculares ou em uso de insulina.
- Teve tuberculose extrapulmonar.
- Já teve elefantíase, hanseníase, calazar (leishmaniose visceral), brucelose, esquistossomose, hepatoesplênica
- Tem alguma doença que gere inimputabilidade jurídica.
- Se foi submetido a transplante de órgãos ou de medula.