El Niño pode atingir força recorde entre novembro e dezembro
Modelos climáticos projetam anomalia de até 4°C no Pacífico Equatorial, o que pode tornar o fenômeno de 2026-2027 o mais intenso em pelo menos 150 anos; impactos no Rio Grande do Sul ainda são incertos
El Niño deve superar recordes anteriores O El Niño deve atingir seu pico de intensidade entre novembro e dezembro de 2026, segundo projeções analisadas pela MetSul Meteorologia. Os modelos climáticos indicam que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial pode alcançar anomalias próximas de 4°C.
Se confirmada, a projeção poderá tornar o episódio de 2026-2027 o mais intenso em pelo menos 150 anos. A tendência é de enfraquecimento gradual a partir do início de 2027.
Apesar da força prevista, os impactos não serão necessariamente proporcionais à intensidade do fenômeno. No Rio Grande do Sul, por exemplo, um El Niño mais intenso não significa, automaticamente, mais chuva em todas as regiões.
El Niño deve superar recordes anteriores
A intensidade do fenômeno é monitorada pela temperatura das águas do Pacífico Equatorial, especialmente na região Niño 3.4. Conforme os dados apresentados pela MetSul, o índice ONI registrava anomalia de 3,3°C no período analisado, acima dos 3°C observados no episódio de 2015-2016.
A mediana das projeções aponta que a anomalia pode chegar perto de 4°C no fim do ano. O valor superaria os registros dos principais episódios anteriores e ficaria muito acima dos 2°C utilizados informalmente como referência para classificar um evento como Super El Niño.
O fenômeno costuma atingir seu pico em dezembro. O aquecimento das águas do Pacífico está relacionado ao enfraquecimento dos ventos alísios e à redistribuição do calor no oceano.
Impactos no RS podem variar
Mesmo que alcance intensidade recorde, o El Niño não provoca os mesmos efeitos em todas as regiões. A distribuição das águas quentes e as condições da atmosfera influenciam o comportamento das chuvas e das temperaturas.
Segundo a análise da MetSul, o El Niño de 2026 é mais forte do que o de 2023, mas, até o momento considerado, o Rio Grande do Sul havia registrado menos chuva do que no episódio anterior. Em São Paulo, por outro lado, o fenômeno de 2023 esteve associado a ondas de calor, enquanto o atual tem sido marcado por excesso de chuva e enchentes.
As projeções para os próximos meses serão importantes para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno sobre o regime de chuvas no Rio Grande do Sul.






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