Julho deve ter chuva acima da média, temporais e novas ondas de frio no Sul do Brasil
Análise da MetSul aponta fortalecimento do El Niño, com maior risco de precipitações intensas, tempestades e temperaturas baixas no Rio Grande do Sul
Mesmo com o aumento da instabilidade, a tendência é que o frio continue marcando presença no Sul do país durante grande parte de julho O mês de julho deverá ser marcado por um cenário de extremos climáticos em boa parte do Brasil. De acordo com análise divulgada pela MetSul Meteorologia, o fortalecimento do fenômeno El Niño tende a provocar chuva acima da média no Sul do país, além de aumentar o risco de temporais e manter a ocorrência de ondas de frio ao longo do mês.
Segundo os meteorologistas Luiz Fernando Nachtigall e Estael Sias, julho, tradicionalmente o mês mais frio do ano no Rio Grande do Sul, também deverá registrar episódios de chuva volumosa, especialmente na Metade Norte do Estado, em Santa Catarina e no Paraná.
A previsão indica que o fenômeno El Niño segue em processo de intensificação. Conforme dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial já se enquadra na categoria de El Niño forte pelo método tradicional de monitoramento e pode ganhar ainda mais intensidade durante julho.
Chuva acima da média
A MetSul destaca que os modelos meteorológicos apresentam elevado consenso quanto à ocorrência de precipitações acima da média em praticamente todo o Centro-Sul do Brasil durante julho.
No Sul, os maiores acumulados deverão ocorrer novamente no Paraná, em Santa Catarina e na Metade Norte do Rio Grande do Sul, regiões que já registraram volumes expressivos de chuva em junho.
A meteorologia alerta para a possibilidade de episódios de chuva intensa, capazes de provocar alagamentos, inundações, elevação do nível dos rios e outros transtornos, além do aumento do risco de temporais com descargas elétricas, rajadas de vento e queda de granizo.
Já no Centro-Oeste e no Sudeste, onde julho normalmente corresponde ao auge da estação seca, a previsão também aponta precipitações acima da média histórica. Estados como Mato Grosso do Sul e São Paulo podem registrar volumes significativamente superiores ao esperado para o período, enquanto cidades como Goiânia e Brasília, que costumam enfrentar um mês bastante seco, poderão registrar chuva.
Frio continuará predominando
Mesmo com o aumento da instabilidade, a tendência é que o frio continue marcando presença no Sul do país durante grande parte de julho.
A MetSul prevê temperaturas próximas ou abaixo da média histórica na maior parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com possibilidade de novas incursões de massas de ar polar.
Os episódios de frio poderão provocar temperaturas negativas em diversas cidades, formação de geadas amplas e, eventualmente, condições favoráveis para ocorrência de neve nas áreas de maior altitude da Região Sul. A possibilidade desse fenômeno, no entanto, somente pode ser confirmada em previsões de curto prazo.
Além das madrugadas geladas, algumas tardes também deverão permanecer frias, especialmente durante a passagem das massas de ar polar mais intensas.
Julho é historicamente o mês mais frio
Conforme a climatologia, julho representa o período mais frio do ano no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, por exemplo, a temperatura média é de 14,1°C, enquanto as médias mínima e máxima são de 10,4°C e 19,7°C, respectivamente.
Além disso, julho também passou a ser o mês mais chuvoso da capital gaúcha nas normais climatológicas mais recentes (1991-2020), com média de 163,5 milímetros de precipitação, superando meses tradicionalmente úmidos como setembro e outubro.
Segundo a MetSul Meteorologia, a combinação entre o fortalecimento do El Niño e as características típicas do inverno deverá manter julho como um mês de elevada variabilidade climática, alternando períodos de chuva intensa, temporais e novas ondas de frio no Sul do Brasil.





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