Debate sobre duplicação da BR-290 destaca revisão de projeto e impactos regionais
Encontro promovido pela Federasul reuniu representantes do Dnit e prefeitos da Fronteira Oeste
Encontro promovido pela Federasul reuniu representantes do Dnit e prefeitos da Fronteira Oeste A duplicação da BR-290 voltou a ser tema de debate nesta terça-feira (06/05), durante o encontro “Tá na Mesa”, promovido pela Federasul, em Porto Alegre. O evento reuniu lideranças políticas, empresariais e representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para discutir os desafios da infraestrutura rodoviária no Rio Grande do Sul. As informações são do Jornal do Comércio.
Entre os principais assuntos abordados esteve a necessidade de revisão de trechos do projeto após os impactos das enchentes de 2024. Segundo o superintendente regional do Dnit no Estado, Hiratan Pinheiro, áreas próximas à Região Metropolitana, especialmente na saída de Eldorado do Sul, ficaram submersas durante os eventos climáticos extremos.
— Esse trecho ficou embaixo d’água. Vai ser reavaliada a drenagem e também a elevação para evitar a perda de acesso — afirmou.
Conforme o dirigente, o Dnit trabalha para lançar o edital do novo contrato até o fim de 2026. Apesar das adequações no projeto, Pinheiro afirmou que não há previsão de atraso nas obras, embora os estudos técnicos ainda estejam em andamento.
Limitação de recursos preocupa lideranças
Outro ponto destacado durante o debate foi a limitação orçamentária para continuidade da duplicação. Em 2026, a BR-290 recebeu cerca de R$ 60 milhões em recursos, valor considerado insuficiente diante do custo estimado das obras.
— Estamos falando de obras de R$ 300 a R$ 350 milhões por lote. Não é possível iniciar com valores baixos — explicou Pinheiro.
Segundo ele, o avanço dos trabalhos depende de suplementações orçamentárias do governo federal ao longo do ano.
Prefeitos da Fronteira Oeste presentes no encontro reforçaram os impactos da lentidão das obras na economia regional. O prefeito de Itaqui e presidente da Associação dos Municípios da Fronteira Oeste (AMFRO), Leonardo Bettin, afirmou que a situação evidencia um déficit histórico de investimentos em infraestrutura.
— A BR-290 mostra uma fragilidade importante, que é o déficit de investimento em infraestrutura. As sucessivas suplementações mostram que, ano após ano, a gente precisa correr atrás de recursos — declarou.
O prefeito também destacou os reflexos para o agronegócio e o transporte da produção.
— De nada adianta produzir se não temos como escoar — acrescentou.
Já o prefeito de Quaraí e presidente do Consórcio do Desenvolvimento do Pampa (Codepampa), Jefferson Pires, ressaltou a importância estratégica da rodovia para o país.
— Não é uma rodovia da Fronteira Oeste, é uma rodovia do Brasil — afirmou.
Segundo ele, a precariedade dos trechos ainda não duplicados compromete a segurança viária e a logística regional, especialmente diante do aumento do transporte pesado e da falta de alternativas como ferrovia e hidrovia.
— Hoje não temos ferrovia, não temos transporte fluvial, só rodovia e ela está nessa situação — disse.
O Dnit também relembrou que o projeto de duplicação da BR-290 teve origem em estudos realizados entre o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. As obras começaram a ser contratadas em 2013, mas passaram por períodos de baixo investimento e reprogramações.
Atualmente, a prioridade do governo federal é concentrar recursos em projetos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que condiciona novos avanços à conclusão de estudos técnicos e à disponibilidade de investimentos.






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