Em carta a Alckmin, Fiergs aponta riscos da redução da jornada de trabalho e das tarifas dos EUA à competitividade
Além disso, entidade defende fundo constitucional do Sul e flexibilização da cláusula de manutenção de empregos para linhas de crédito emergenciais
Claudio Bier e Geraldo Alkmin Os riscos à competitividade com o possível fim da jornada trabalho 6x1, projeto que está tramitando no Congresso, e os impactos relacionados à continuidade das tarifas americanas sobre produtos brasileiros foram alertas feitos pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) em carta entregue pelo vice-presidente da FIERGS e presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), Ubiratã Rezler, ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (19), na abertura da Festa da Uva, em Caxias do Sul.
O documento, assinado pelo presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, afirma que “reduzir constitucionalmente a jornada para 36 horas semanais, concentradas em até quatro dias, pode gerar impactos relevantes sobre a economia e o setor produtivo, especialmente no contexto brasileiro de baixa produtividade e heterogeneidade setorial. A medida tende a aumentar custos, reduzir competitividade, desestimular investimentos e dificultar a geração de emprego”, diz o texto, destacando que a legislação já permite ajustes por negociação coletiva.
Sobre as tarifas americanas, a carta alerta que a manutenção das taxações permanece prejudicando de forma significativa as exportações gaúchas, sobretudo as do setor industrial. “Setores intensivos em emprego e altamente dependentes do mercado norte-americano foram fortemente atingidos, com quedas expressivas”, afirma o texto, destacando a retração das exportações em segmentos como tabaco (-66,7%), armas e munições (-69,1%) e veículos e autopeças (-53,4%). O documento reforça ainda a necessidade de retomada das negociações bilaterais, com o intuito de “mitigar e, ainda mais urgentemente, eliminar as medidas que prejudicam a competitividade da indústria brasileira”.
Além disso, a entidade elencou outras duas pautas prioritárias: a criação do fundo constitucional do Sul, que permitiria ampliar o acesso a crédito com condições diferenciadas e estimular a modernização da indústria, considerando que atualmente o Estado enfrenta desafios estruturais relacionados à infraestrutura, inovação e sustentabilidade; e a flexibilização da cláusula de manutenção ou ampliação de emprego nos contratos de financiamento emergencial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em razão da destruição da infraestrutura produtiva, da dispersão das equipes e do agravamento do apagão de mão de obra no Estado.






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