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São Jerônimo, RS,06/08/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Inimigos da cultura e dos livros?

Havia uma pedra no meio do caminho

Arquivo Pessoal
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Inimigos da cultura e dos livros?

João Adolfo Guerreiro

Havia uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho havia uma pedra

Mas, ao contrário do poeta mineiro Drummond, alguém não fez poema: juntou-a e lançou contra o vidro da Biblioteca Municipal Vera Gauss. O depredador deve odiar poesia, ter repulsa a romances, nojo de contos e asco de crônicas. Sua pedra rasgou o ar de domingo, inimiga da cultura, ferindo-a com sua ignorância e brutalidade.

Sim, a biblioteca Vera Gauss foi novamente depredada no último final de semana. A Vera é uma sobrevivente. Resiste bravamente a uma porção de coisas, o vandalismo uma delas. Todavia, é amada por funcionários, usuários e escritores e escritoras locais. É uma mãe que os acolhe, uma parceira que anda junto, uma irmã que partilha, uma amiga de letras e de jornada. Em seus livros reside a história do mundo, escrita à mão pelas pessoas, através dos séculos, conectando-as no presente, de crianças a idosos.

A Vera é palco de saraus, clubes, palestras, contações, bate-papos, estudos, leituras e mais. As janelas da Vera se abrem para o mundo ante o céu azul do Parcão e para o universo ante as estrelas. A Vera é única, num local único, eis que o céu de Charqueadas é único. Mas, incrivelmente, tem inimigos.

Tra lá lá, que gente é essa? Como ser inimigo de algo tão bom e que só faz bem? Os inimigos dos livros atiram pedras na biblioteca que dá frutos. Os inimigos da cultura atacam à noite a Vera indefesa. Vera não tem descanso, mas resiste, sobrevive, pois é amada.

A Vera é nossa.




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