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São Jerônimo, RS,25/06/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Custer: 150 anos de Little Bighorn

Deu tudo muito errado

Reprodução
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Custer: 150 anos de Little Bighorn Tenente-coronel George Amstrong Custer

João Adolfo Guerreiro

Dia 25 de Junho de 1876 acontecia aquela que ficou conhecida como a Batalha de Little Bighorn, onde morreu o famoso tenente-coronel George Amstrong Custer (1839 - 1876), do 7° Regimento de Cavalaria dos EUA, durante as Guerras Indígenas. E tu com isso, né?

Agora, pois no meu tempo de guri filmes com o Custer eram míticos. Como hoje, ainda somos culturalmente colonizados pela indústria cultural dos EUA, mas naquele tempo, anos 1960 e 70, o gênero faroeste era top one, diferente de hoje, o que significa que apenas "tornaram diferente aquela coisa sempre igual". Assim, ainda sabemos mais da história estadunidense do que da brasileira, noves fora a Revolução Farroupilha pra nós, gaúchos. Tá, mas o que aconteceu com o tal Custer, então? Buenas, vamos lá.

Custer, comandando uma tropa de cerca de 700 homens, era o regimento avançado de um corpo de cavalaria maior e buscava localizar para esse os índios rebeldes, a fim de cercá-los e atacá-los, após a reunião do corpo. Localizou-os dia 24 acampado no rio Little Bighorn, mas uma equipe de batedores sua foi vista pelos índios, o que lhe deu a ideia de atacar sozinho antes que eles fugissem. Estavam no estado de Montana, fim do fim do mundo dos EUA da época. Por que ele teve essa ideia? Durante a Guerra Civil (1860 - 1865), fora um jovem e ousado oficial de cavalaria da União combatendo os Confederados, ficando famoso por tal e, por isso, recebeu a patente provisória de general. Findo o conflito, voltou a ser tenente-coronel, mas ambicionava, dizem, muito mais do que retomar a antiga patente: queria ser presidente do país. Assim, afirmam que ousadia e ambição levaram Custer a um movimento tático ousado: dividiu seu grupo em três, a fim de atacar o acampamento indígena pelos dois lados do rio, impedindo sua fuga, ficando outro de reserva e apoio, com os mantimentos e munições. Deu muito errado. Por que?

Três fatores foram decisivos: o primeiro, e mais determinante para o desfecho final, era uma aglomeração de cerca de 5 mil pessoas reunindo várias tribos, fato sobre o qual foi alertado por seus batedores indígenas, mas que ignorou por tal número ser muito improvável; o segundo, todos ignoravam que os índios, dias antes, encontraram outro grupo avançado do corpo da cavalaria que, por pouco, não fora massacrado; e o terceiro, os índios possuíam rifles Winchester de repetição, comprados de contrabandistas, enquanto os soldados usavam rifles de um disparo por vez. Assim, em inferioridade bélica e numérica, Custer se lançou dividido sobre os índios.

O primeiro grupo atacou primeiro, foi fortemente rechaçado e bateu em retirada, com pesadas baixas. Sua sorte foi que se juntou ao grupo de apoio e, também, que Custer em seguida atacou pelo outro lado e os índios se voltaram contra ele. Quando o tenente-coronel percebeu a gravdade da situação, tentou escapar. Em vão. Entre 950 e 1.200 guerreiros Lakota, Cheyenne e Arapho, liderados por Touro Sentado e Cavalo Louco, o perseguiram e cercaram ao redor de uma pequena elevação, massacrando todos os mais de 200 soldados. Os grupos restantes se entrincheiraram e resistiram, até a chegada do corpo da tropa, alguns dias depois, quando os índios já haviam se retirado. Só então foram ver Custer e os outros. Seus corpos, já em decomposição, jaziam despidos e brutalmente mutilados. No total, as perdas do 7° Regimento de Cavalaria foram 268 mortos (16 oficiais, 242 cavaleiros, 10 civis/guias) e 55 feridos graves. Junto com Custer morreram dois irmãos, um sobrinho e um cunhado.

Foi a maior derrota do Exército dos Estados Unidos para os indígenas, com enorme repercussão no país e no mundo. Ao final das Guerras Indígenas os nativos foram vencidos, não antes de vários episódios de massacres contra tribos, suas mulheres e crianças, antes e após a Batalha de Little Bighorn. Custer virou mártir e herói nacional. Paradoxalmente, nos anos 1960 e 70, o famoso e concorrido brinquedo chamado Forte Apache geralmente trazia um forte com as bandeiras dos EUA e do 7° Sétimo Regimento de Cavalaria, justamente o massacrado.

Décadas depois a figura histórica de Custer foi relativizada por estudos históricos que mostravam os massacres que teria comandando, bem como o Exército como um todo. Há uma canção legal da banda inglesa de heavy metal Iron Maiden, Run to the Hills, que, mesmo sem falar da Batalha de Little Bighorn, aborda a dramaticamente desse período para os povos nativos da América do Norte. Nada muito diferente do que os colonizadores portugueses e espanhóis e seus descendentes fizeram aqui na do Sul. E isso tem a ver contigo.




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