João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Juremir, do Sarau à Feira do Livro
Machado foi o escritor convidado do VII Sarau Literário
Machado foi o escritor convidado do VII Sarau Literário Chovia torrencialmente naquela noite de 25 de outubro de 2011, terça-feira, em Charqueadas, enquanto no salão de eventos do Solar Shopping o público aguardava a fala do escritor convidado para o VII Sarau Literário de Charqueadas, o jornalista, historiador e professor universitário gaúcho Juremir Machado da Silva - de preto na foto acima, ao lado de Daynor Lindner. Agora, neste 2026, Juremir é um dos indicados a patrono da Feira do Livro de Porto Alegre.
Em 2011, Juremir fez às 20 horas uma palestra abordando o tema dos 50 anos da Legalidade, assunto de seu livro mais recente. Agradou em cheio as 40 pessoas presentes. Juremir recebeu das mãos da patronesse do VII Sarau, Cláudia Gelb, um exemplar do livro Transmutação, de autoria desta, e do presidente da ASLIC, Daynor Lindner, exemplares da III e IV Mostra Literária de Charqueadas. Após a palestra, respondeu a perguntas dos presentes, dentre eles o senhor Samuel Gelb, que esteve nos porões do Palácio Piratini durante o episódio da Legalidade. Ao final, deu autógrafos e tirou fotografias com o público. Prestigiaram o evento a secretária municipal da Cultura, Sandra Peres, da Educação, Norma, e a representante do SESC, Mayara.
Foi um dos momentos especiais na história do Sarau, aquela noite. Aproveitei, claro, para pedir autógrafos nos livros do autor que possuía (foto abaixo), tendo em vista ser seu leitor. Naquela época Machado estava no seu auge, escrevendo uma crônica diária no jornal Correio do Povo e editando um E X C E L E N T E suplemento cultural aos sábados, além de apresentar o programa Esfera Pública na rádio Guaíba, bem ao espírito do pensamento do sociólogo alemão Jurgen Habermas.
Aliás, Machado estudou na França, onde foi correspondente de Zero Hora, jornal do qual foi demitido após criticar Erico Verissimo em sua coluna, acerca de sua postura política durante a ditadura, entrando num debate público com Luis Fernando Verissimo. Neste período entrevistou nomes como o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o epistemológo Edgar Morin e o sociólogo Michel Maffesoli.
Atualmente o sigo nas redes sociais, YouTube e Facebook, além do jornal Matinal, online. Sua indicação foi comentada e defendida em março pelo jornalista Nando Gross. Claro, apoio integralmente a indicação e torço para que, desta vez, a mesma se torne realidade, ao contrário de anos anteriores. Abaixo, o ótimo texto de Gross a respeito da indicação:
"A vez do pensamento crítico
Há escolhas que expõem o que uma cidade valoriza. A definição do patrono da Feira do Livro de Porto Alegre é uma delas. Não se trata apenas de homenagear um nome, mas de afirmar um padrão de pensamento e de produção cultural. Por isso, a indicação de Juremir Machado da Silva faz muito sentido.
A trajetória dele não cabe em um único rótulo. Juremir é autor de livros que enfrentam temas densos, professor com produção acadêmica consistente e jornalista com presença contínua no debate público. Essa combinação não é comum. Ele escreve com base, pesquisa, leitura e repertório, e leva isso também para o espaço da imprensa.
A própria história recente da Feira mostra um caminho claro. Fabrício Carpinejar, escolhido patrono da 67ª edição, tem uma obra que conversa diretamente com o cotidiano da cidade, com suas emoções e relações. Martha Medeiros, na última feira, também representa esse vínculo forte com o leitor local, com uma escrita que alcança o público e traduz sentimentos comuns. São escolhas que dialogam com Porto Alegre.
Juremir entra nesse mesmo campo, mas por outra via. O diálogo que ele estabelece com a cidade é mais crítico, mais analítico, menos afetivo e mais reflexivo. Ele não escreve para confortar, escreve para provocar. E isso também é necessário. Uma cidade que se pretende plural precisa reconhecer diferentes formas de produção intelectual.
Há um traço importante na sua obra: independência. Ele não escreve para agradar grupos, nem para reforçar consensos fáceis. Assume posições, sustenta argumentos e aceita o confronto. É exatamente esse tipo de postura que precisa ser valorizado em um evento que celebra o livro como instrumento de reflexão.
Porto Alegre ganha quando reconhece quem contribui para o pensamento crítico. Indicar Juremir Machado da Silva como patrono é reconhecer uma obra construída com consistência e presença pública."




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