João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Chovia, choveu
Alguém esqueceu?
João Adolfo Guerreiro
No 1° de Maio, em 2024, chovia;
Na 1° de Maio, em 2026, choveu.
A água batia no vidro da janela do hotel,
A água bateu no asfalto da rua da cidade.
Os balões não subiram no céu de Torres,
As pessoas não andaram nas vias de Charqueadas.
1° de Maio, chovia;
1° de Maio, choveu:
A água subia,
A rua morreu;
O rio enchia,
A via encolheu;
A casa jazia,
O café aqueceu.
Chovia,
Choveu:
O Jacuí invadia,
A 1° de Maio escureceu.
1° de Maio, no dia;
1°de Maio, na avenida:
Dia do Trabalhador!
No vidro da janela,
No chão da rua;
No vidro hotel,
No vidro da cafeteria.
Choveu na memória,
Chovia na dor.
Um café pros amigos,
Dois anos depois.
"Chove lá fora
E aqui
Faz tanto frio"
Chovia,
Choveu.
Alguém esqueceu?
"Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela"
Fez sol no domingo,
A chuva se foi
e o frio chegou.
O Jacuí segue seu curso
E as pessoas caminham pela 1° de Maio.
Segunda-feira, 2026.



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