João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Há 140 anos pela redução de jornada
Ontem pelas 8 horas, amanhã pelos 5x2 dias
João Adolfo Guerreiro
Em 1° de Maio de 1886 foi por jornada de trabalho de 8 horas diárias, hoje é pela escala semanal de trabalho de 5x2 dias.
Muita gente morreu no passado por um futuro melhor para as gerações vindouras de trabalhadores, e deu certo. Se hoje existe a jornada de oito horas diárias, a gênese de tal direito trabalhista se encontra em maio de 1886, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Nesta data começou uma greve geral por todo o país, muito forte naquela cidade operária, pela redução da jornada de 17 horas por dia para 8. Essa história precisa ser contada e recontada pra que o Dia do Trabalhador não vire Dia do Trabalho, mistificação cínica que visa apagar o sacrifício daqueles mártires em sua luta classista operária.
Ao todo, nos dias de confronto que se seguiram em Chicago em maio, três operários e oito policiais perderam a vida. Cinco operários foram acusados, presos e enforcados em 11 de novembro de 1887: os sindicalistas anarquistas Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg. Seis anos depois teriam sua inocência reconhecida pelo governador de Illinois. A data virou marco em vários países e a pauta das oito horas foi sendo implementada pelo mundo nas décadas seguintes, não deixando aquelas - e, ao longo dos séculos XIX e XX, outras - mortes serem em vão. Nos Estados Unidos, curiosamente, o Dia do Trabalhador é noutra data.
Hoje, no século XXI, aqui no Brasil, está se lutando no Congresso Nacional pela substituição da escala semanal de 6x1 para a de 5x2. Após todas as lutas operárias por direitos trabalhistas e previdenciários ao longo do século XX, que inclusive geraram muitas revoluções socialistas pelo planeta, há um grande refluxo sindical da classe trabalhadora, com perda de conquistas históricas ante o avanço neoliberal dos anos 1980 pra cá. Assim, essa redução da escala representa uma tímida retomada de protagonismo. Mais: é até mesmo uma necessidade concreta do capitalismo atual, pois ante o avanço contundente e inexorável do desemprego estrutural tecnológico no mundo da revolução digital, essa medida é a que garantirá daqui pra frente a empregabilidade e a consequente existência de um mercado consumidor, eis que os bilionários das chamadas big techs terão de vender suas bugigangas pra alguém. Bah, já tem até economista liberal falando de novo em renda mínima pra legião urbana de desempregados sem aposentadoria do futuro não muito distante. Imagina?
É a luta popular de nosso tempo, que se dá ante a diminuição quantitativa da classe trabalhadora assalariada pelo mundo. Aliás, a própria existência da força de trabalho humana como fundamental para o processo produtivo está em xeque! O que o grande pensador alemão Karl Marx escreveria ao ver isso, esse estágio tecnológico-financeiro quase inumano do capital, se vivo?
Um bom feriadão de 1° de Maio e findi pra todos - semana de escala 4x3, uau syl! Cuidem-se, vacinem-se, lutem por seus direitos, vivam e fiquem com Deus.





COMENTÁRIOS