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São Jerônimo, RS,25/10/2026

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Autismo: não há remédio, mas há muito amor

Atividade da AMRIGS alusiva ao Abril Azul contou com a participação de cerca de 500 pessoas entre pais, educadores, médicos e profissionais da saúde

Ana Carolina Lopes /AMRIGS
Autismo: não há remédio, mas há muito amor Vanessa Lúcio, falou da “Mãe solo e os desafios da inclusão”
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Com uma prevalência de uma criança em cada 59, o Transtorno do Espectro Autista
(TEA) é um dos temas mais estudados e debatidos por profissionais de diversas
áreas da saúde, desafiando pais, familiares, médicos e educadores. O tema foi
pauta do Ciclo de Palestras AMRIGS, realizado na quinta-feira (25), com
aproximadamente 500 presentes.
A primeira parte do encontro foi dedicada ao debate técnico do TEA com
apresentação do médico Josemar Marchezan, neurologista e neurofisiologista
clínico, doutor em saúde da criança e do adolescente.
- Apesar do avanço no diagnóstico precoce e nas intervenções, nenhum tratamento
farmacológico até o momento é capaz de reverter completamente os principais
sintomas do Transtorno do Espectro Autista. Por isso, é muito arriscado expor
nossas crianças a tratamentos sem que haja uma comprovação científica dos
resultados – disse.
Alguns dados impressionam. Atualmente, há mais diagnósticos de autismo em
crianças a cada ano nos Estados Unidos, do que AIDS, câncer e diabetes
combinados.
O médico Rafael Moreno, pós-graduado em Psiquiatria pela UFCSPA, coordenador do
programa de residência médica em psiquiatria da Sociedade Sulina Divina
Providência e coordenador do comitê de prevenção do suicídio da Associação de
Psiquiatria do Rio Grande do Sul, detalhou o tema sob o ponto de vista da mente
e das emoções.
- Só o ser humano desenvolve emoções sociais como vergonha, inveja e ciúmes. É
nestas emoções que o indivíduo com o Transtorno do Espectro Autista tem mais
dificuldade de interpretar o sentimento – explicou.
A empatia é um dos sentimentos mais importantes, uma vez que o cidadão com TEA
não consegue desenvolver a capacidade de colocar-se no lugar de uma outra
pessoa ou de um outro animal.
- A partir de um ano e seis meses, as crianças imitam muito os seus pais. Este
pode ser um sintoma inicial fácil de perceber - completou.
A segunda parte do evento foi recheada de emoção, a partir do relato de mães
que vivem a experiência de ter filhos autistas. A jornalista Isabel Ferrari
tratou da temática da “Inclusão Amorosa” e contou toda a experiência vivida com
o seu filho, João Pedro.
- Se não há remédios que resolvam a causa do autismo, é por isso que estou
aqui. Por isso, as crianças precisam muito das mães. Sou jornalista porque
gosto de pessoas. Tenho excesso de empatia e descobri muito cedo que as pessoas
são diferentes. Ninguém é igual a ninguém. Mas o mais importante é a aceitação,
ou seja, lidar com a verdade. As coisas só pioram quando não lidamos com a
verdade da gente. Em nenhum momento neguei o diagnóstico do meu filho. Consolei
muita gente porque ninguém sabe o que vai te dizer – contou.
O encerramento foi com Vanessa Lúcio, com a exposição “Mãe solo e os desafios
da inclusão”. Durante sua fala, bastante emocionada, contou as dificuldades
enfrentadas desde o nascimento do filho, Murilo.
- É bem difícil ser mãe de autista porque precisamos sempre desconfiar. É
difícil falar de inclusão e lutamos para que isso seja feito sempre da melhor
maneira possível, mas infelizmente, temos que dizer que nem sempre acontece –
desabafou.
Com uma plateia em boa parte formada por professores, a mãe fez um apelo para
que os educadores saibam como lidar com os momentos difíceis.
- Nunca mandem uma criança embora da escola pelas eventuais situações que elas
causam. Busquem alternativas e lidem com a questão – disse.
No final foi feita uma apresentação do trabalho desenvolvido no Instituto
Autismo e Vida pela presidente, Ana Paula Dihl Kohlmann. A entidade sem fins
econômicos tem como missão promover o bem-estar das pessoas incluídas no
Transtorno do Espectro Autista, por meio da disseminação de informação a pais,
familiares, colaboradores e sociedade em geral, do apoio à produção de
conhecimento e da defesa dos direitos da pessoa com autismo.

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MAIO DOURADO




A próxima atividade do Ciclo de Palestras AMRIGS será o Maio Dourado, dedicado
ao tema da fibromialgia. O evento está marcado para 22 de maio, às 19h, no
Centro Eventos AMRIGS. O assunto será abordado pelos médicos João Marcos Rizzo,
Luciano Machado de Oliveira e Laurita Castegnaro. Informações e inscrições
podem ser obtidas através do telefone (51) 3014-2033 ou do e-mail
capacitacao@amrigs.org.br.


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