PF realiza nova fase da Operação Sem Desconto e investiga lavagem de dinheiro ligada a fraudes no INSS
Mandados são cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão; familiares do senador Weverton Rocha (PDT) e um advogado estão entre os alvos da ação
Weverton Rocha, senador pelo Maranhão, foi alvo da Operação Sem Desconto em dezembro do ano passado A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (4), mais uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesta etapa, as apurações têm como foco suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao caso.
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.
Entre os alvos da operação estão familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Conforme divulgado pelo g1, a ação atinge a esposa, a filha e duas irmãs do parlamentar. O advogado Willer Tomaz também é alvo das buscas.
Segundo a Polícia Federal, a investigação avançou após a identificação de movimentações financeiras e patrimoniais consideradas atípicas, que podem ter sido utilizadas para ocultar a origem e o destino de recursos supostamente obtidos de forma ilícita.
Investigação sobre descontos indevidos
A Operação Sem Desconto apura um esquema de cobranças irregulares em benefícios previdenciários. Conforme as investigações, aposentados e pensionistas tinham valores descontados mensalmente em nome de associações conveniadas ao INSS, sem autorização.
Em situações regulares, essas entidades podem oferecer serviços como assistência jurídica, auxílio funerário, atendimento odontológico, apoio psicológico, academias e colônias de férias, desde que o beneficiário autorize a filiação e os descontos.
No entanto, a investigação aponta que milhares de segurados tiveram cobranças efetuadas sem consentimento, sendo registrados como associados de entidades das quais nunca fizeram parte.
Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia associações, intermediários e o uso indevido de informações pessoais de beneficiários do INSS.
Operação já teve outras fases
Em dezembro do ano passado, a Operação Sem Desconto cumpriu 52 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão preventiva em sete estados e no Distrito Federal.
Na ocasião, a investigação alcançou o senador Weverton Rocha, um assessor parlamentar e o então secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, que foi afastado do cargo, teve prisão domiciliar decretada e posteriormente exonerado.
À época, a assessoria do senador informou ter recebido a operação "com surpresa" e afirmou que ele permaneceria à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Defesa do advogado
A defesa de Willer Tomaz divulgou a seguinte nota na íntegra:
"Willer Tomaz, advogado e empresário, esclarece que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido nesta manhã decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público.
Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal.
A disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem qualquer relação com os fatos investigados. O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação."






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