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São Jerônimo, RS,04/08/2026

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MARCELO NORONHA | O primeiro teste de um candidato à educação é o contracheque do professor

Não existe país desenvolvido que tenha construído uma educação de excelência desprezando seus docentes. Onde o professor é respeitado, valorizado e bem remunerado, a escola se fortalece. Onde ele é tratado como despesa, a educação se transforma em promess

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MARCELO NORONHA | O primeiro teste de um candidato à educação é o contracheque do professor O primeiro teste de um candidato à educação é o contracheque do professor
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Marcelo Noronha *

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Todos os anos eleitorais repetem o mesmo roteiro. Os candidatos visitam escolas, abraçam crianças, prometem revolucionar a educação e declaram que ela é a prioridade absoluta de seus governos. É um discurso bonito. Funciona bem nas redes sociais, rende fotografias emocionantes e costuma arrancar aplausos. O problema é que, terminada a eleição, a prioridade quase sempre desaparece junto com os palanques.

Há uma pergunta que deveria ser obrigatória em qualquer debate eleitoral: quanto o candidato pretende pagar ao professor?

A resposta a essa pergunta vale muito mais do que páginas e páginas de planos de governo. Afinal, quem realmente acredita que a educação é prioridade precisa demonstrar isso no orçamento. O restante é propaganda.

O Brasil vive uma contradição histórica. Todos afirmam que a educação transforma vidas, mas poucos aceitam pagar dignamente aqueles que tornam essa transformação possível. Cobra-se desempenho, inovação, dedicação integral, resultados em avaliações nacionais, inclusão, acolhimento emocional dos alunos e adaptação às novas tecnologias. Em troca, muitos professores recebem salários incompatíveis com a responsabilidade que carregam.

Não existe país desenvolvido que tenha construído uma educação de excelência desprezando seus docentes. Os exemplos internacionais mostram exatamente o contrário. Onde o professor é respeitado, valorizado e bem remunerado, a escola se fortalece. Onde ele é tratado como despesa, a educação se transforma em promessa permanente.

Também é preciso abandonar uma narrativa conveniente para muitos governos: responsabilizar exclusivamente o professor pelos problemas educacionais. Não é o docente quem define o orçamento da educação, quem constrói escolas, quem compra equipamentos ou quem estabelece planos de carreira. Exigir resultados extraordinários enquanto se oferecem condições precárias de trabalho não é gestão. É transferência de responsabilidade.

Valorizar professores não significa apenas reajustar salários. Significa garantir carreira, formação continuada, condições adequadas de trabalho, segurança, saúde mental e tempo para planejar o ensino. Mas tudo isso começa por uma remuneração compatível com a importância social da profissão. Sem esse ponto de partida, qualquer outro compromisso perde credibilidade.

Nas eleições, portanto, o eleitor deveria desconfiar de discursos emocionados e observar os números. Quem promete transformar a educação precisa explicar como pretende valorizar quem está diariamente dentro da sala de aula. Porque escola não funciona apenas com prédios, computadores ou plataformas digitais. Funciona com professores.

Enquanto um salário digno continuar sendo tratado como um detalhe secundário, toda promessa de revolucionar a educação continuará sendo apenas isso: uma excelente peça de propaganda eleitoral.


(*) Marcelo Noronha, jornalista


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