Pesquisa revela que idosos gaúchos mantêm preferência por lojas físicas e pagamento em dinheiro
Levantamento da Fecomércio-RS mostra que consumidores com mais de 60 anos valorizam atendimento presencial, fidelidade aos estabelecimentos e compras no comércio tradicional
Levantamento da Fecomércio-RS mostra que consumidores com mais de 60 anos valorizam atendimento presencial, fidelidade aos estabelecimentos e compras no comércio tradicional Mesmo com o avanço das compras pela internet e dos meios de pagamento digitais, os idosos do Rio Grande do Sul continuam priorizando o comércio tradicional. É o que revela a Pesquisa de Hábitos de Consumo de Pessoas Idosas 2026, divulgada pela Fecomércio-RS, que traçou um panorama sobre o comportamento de consumidores com 60 anos ou mais no Estado.
Segundo o levantamento, 58,2% dos entrevistados preferem fazer compras em lojas localizadas no centro das cidades, enquanto apenas 13,8% utilizam a internet para adquirir produtos como roupas, calçados, eletrônicos e outros itens.
Outro dado que chama atenção é a predominância do dinheiro em espécie como principal forma de pagamento. O método é utilizado por 45,7% dos idosos, superando o cartão de crédito parcelado (27,5%), o cartão de débito (24,7%) e o Pix, escolhido por 22,9% dos participantes.
De acordo com a Fecomércio-RS, a preferência pelo dinheiro está relacionada a fatores como hábitos consolidados, maior controle sobre os gastos, menor familiaridade com recursos tecnológicos e preocupação com golpes e fraudes eletrônicas.
Fidelidade às lojas supera fidelidade às marcas
A pesquisa mostra que os consumidores idosos tendem a criar vínculos mais fortes com os estabelecimentos comerciais do que com as marcas dos produtos.
Enquanto 74,5% afirmaram não serem fiéis a marcas específicas, 56,9% disseram manter preferência pelas lojas onde costumam comprar. O resultado indica que fatores como bom atendimento, organização, variedade de produtos, ambiente agradável e preços competitivos influenciam diretamente a decisão de compra.
Entre os principais critérios considerados pelos entrevistados na escolha de um estabelecimento estão:
- Preço e ofertas (65,5%);
- Promoções (31,7%);
- Qualidade dos produtos (21,8%);
- Atendimento (17,4%).
Apesar de 83,9% afirmarem não encontrar dificuldades durante as compras, entre aqueles que relataram problemas, o principal motivo foi o atendimento inadequado dos vendedores, citado por 14,5%.
Compras ainda são vistas como necessidade
Para a maioria dos idosos, o ato de comprar continua sendo uma atividade essencial do dia a dia. Segundo a pesquisa, 82,3% disseram que vão às compras principalmente para adquirir produtos necessários.
Outros 11,2% enxergam a atividade como uma forma de lazer, enquanto 6,5% associam as compras à oportunidade de socialização. Entre as mulheres, a percepção das compras como lazer é mais frequente, alcançando 18,8%, percentual significativamente superior ao registrado entre os homens (2,3%).
Alimentação fora de casa e turismo ganham espaço
O estudo também aponta mudanças nos hábitos de consumo da população idosa. Quase metade dos entrevistados (46%) afirmou consumir regularmente refeições fora de casa, ficando atrás apenas da compra de alimentos e medicamentos entre as despesas mais frequentes.
Além disso, 29,1% disseram frequentar salões de beleza ou barbearias com regularidade, prática mais comum entre as mulheres.
O turismo também aparece como uma atividade relevante para esse público. Segundo a pesquisa, 40,5% dos idosos costumam viajar. Desses, 51,9% realizam viagens de lazer, enquanto 39,7% viajam para visitar familiares e amigos. A maioria afirmou fazer ao menos uma viagem por ano.
Perfil econômico
A pesquisa mostra ainda que aposentadorias e pensões representam a principal fonte de renda para 81% dos entrevistados, enquanto 25,5% continuam exercendo atividade remunerada.
Quanto à composição familiar, 37,4% vivem com familiares, 32,7% moram sozinhos e 29,4% residem com o cônjuge.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Luiz Carlos Bohn, os resultados reforçam a importância de compreender o comportamento do público com mais de 60 anos, que vem ganhando cada vez mais representatividade no mercado consumidor.
Segundo ele, o comércio precisa se adaptar a um cenário cada vez mais multigeracional, oferecendo atendimento qualificado e experiências de compra que atendam às expectativas desse público, cuja fidelidade está mais relacionada aos estabelecimentos do que às marcas dos produtos.






COMENTÁRIOS