Polícia Civil indicia três policiais penais por fuga de líder de facção da Penitenciária de Charqueadas
Inquérito aponta fraude em documentos e manipulação de sistemas para viabilizar saída de detento considerado uma das principais lideranças da facção Bala na Cara
Inquérito aponta fraude em documentos e manipulação de sistemas para viabilizar saída de detento considerado uma das principais lideranças da facção Bala na Cara A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a fuga de um dos principais líderes da facção criminosa Bala na Cara da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC) e indiciou três policiais penais por participação no caso. Os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
A investigação faz parte da Operação Rota de Fuga e apurou as circunstâncias que permitiram a saída de William Ramos Silveira, conhecido como "Will", apontado pelas autoridades como liderança financeira e bélica da organização criminosa, com atuação principalmente nos municípios de Cachoeirinha e Gravataí.
Segundo o Departamento Estadual de Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), os três servidores responderão por crimes como promoção de fuga de pessoa legalmente presa, inserção de dados falsos em sistema da administração pública, falsificação de documento público, falsidade ideológica e prevaricação.
Esquema envolveu documentos falsificados
De acordo com o delegado Augusto Zenon, responsável pela investigação, a fuga foi viabilizada por meio da elaboração de um falso alvará de soltura, que simulava ter sido expedido pelo Poder Judiciário.
Com base nesse documento fraudulento, também foi confeccionada uma guia de soltura falsa, permitindo que o apenado deixasse a unidade prisional pela porta principal sem levantar suspeitas durante os procedimentos de conferência.
As investigações apontam que um policial penal lotado no setor do INFOPEN teria planejado e executado a fraude. Além da falsificação dos documentos, ele também teria realizado diversas alterações no sistema informatizado da administração penitenciária para ocultar a fuga.
Entre as informações inseridas indevidamente estariam registros fictícios de remoções para centro terapêutico, transferências entre módulos, retornos inexistentes e encaminhamentos hospitalares, criando um histórico falso para dificultar a identificação da evasão.
Alterações em registros administrativos
A Polícia Civil também identificou adulterações em documentos administrativos da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, incluindo o Livro Físico do INFOPEN. Conforme o inquérito, foram constatadas omissões e registros ideologicamente falsos destinados a alterar artificialmente o controle da população carcerária e esconder a ausência do detento.
Além do servidor apontado como responsável pela fraude, outros dois policiais penais foram indiciados por prevaricação. Segundo a investigação, ambos tiveram conhecimento de inconsistências relacionadas à situação prisional de William Ramos Silveira, realizaram consultas no sistema, mas deixaram de adotar as medidas funcionais necessárias para comunicar e impedir a irregularidade.
Investigação reuniu provas documentais e digitais
Durante a apuração, a Polícia Civil analisou registros do INFOPEN, imagens do sistema de videomonitoramento da penitenciária, auditorias da Polícia Penal, documentos administrativos, dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos e depoimentos de testemunhas, servidores e investigados.
William Ramos Silveira fugiu da PMEC em 21 de maio deste ano e permanece foragido. Considerado uma das principais lideranças da facção Bala na Cara, ele possui condenações por diversos crimes e segue sendo procurado pelas forças de segurança.






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