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São Jerônimo, RS,31/07/2026

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MARCELO NORONHA | O Grêmio não precisa de políticos. Precisa de dirigentes

Toda organização existe para cumprir uma finalidade. A de um clube de futebol é vencer, revelar talentos, honrar sua camisa e proporcionar orgulho ao torcedor. Quando a estrutura política passa a consumir mais energia do que o próprio futebol, a instituiç

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MARCELO NORONHA | O Grêmio não precisa de políticos. Precisa de dirigentes Toda organização existe para cumprir uma finalidade.
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Marcelo Noronha*

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Olhar para o Grêmio hoje me provoca uma incômoda sensação de *déjà vu*. A Arena parece ter deixado de ser o centro de um projeto esportivo para se transformar em um laboratório da pior política brasileira. Mudam os nomes, mudam os grupos, mudam os discursos. Os métodos, porém, permanecem exatamente os mesmos.

Quando observo as disputas de bastidores, as articulações de corredores, a formação de blocos, as alianças circunstanciais e a permanente luta pelo controle do Conselho Deliberativo, tenho a impressão de que o futebol passou a ocupar um papel secundário. O clube tornou-se um ambiente onde a conquista do poder parece importar mais do que a conquista de títulos.

Essa é a tragédia silenciosa que se instalou no Grêmio.

Toda organização existe para cumprir uma finalidade. A de um clube de futebol é vencer, revelar talentos, honrar sua camisa e proporcionar orgulho ao torcedor. Quando a estrutura política passa a consumir mais energia do que o próprio futebol, a instituição perde sua razão de existir.

A política, por si só, não é o problema. Ela é necessária em qualquer entidade democrática. O problema começa quando ela deixa de ser instrumento de gestão para se transformar em um fim em si mesma. Nesse momento, surgem os feudos, os grupos permanentes, os interesses particulares, a distribuição de espaços de poder e a lógica da disputa constante. O clube deixa de pensar como instituição e passa a agir como um partido político em campanha permanente.

Enquanto isso, a realidade não perdoa.

A eliminação para o Bolívar na Copa Sul-Americana aprofundou o clima de revolta entre os torcedores. Na Série A, o Grêmio luta para escapar da zona de rebaixamento. O futebol apresenta um rendimento incompatível com a grandeza da instituição. Os resultados expõem aquilo que muitas vezes os discursos tentam esconder: um clube politicamente ocupado e esportivamente desorganizado.

Quem paga essa conta nunca participa das reuniões de bastidores. É o torcedor. É quem compra ingresso, paga mensalidade, veste a camisa, acompanha o time na chuva, no frio e nas derrotas. É justamente quem menos interessa quando a principal preocupação de determinados grupos passa a ser a próxima eleição, a próxima composição política ou a próxima disputa interna.

O mais preocupante é perceber que essa cultura acaba se normalizando. A derrota passa a ser tratada como detalhe. A crise vira rotina. A mediocridade torna-se aceitável desde que o grupo político permaneça fortalecido. Pouco importa se o Grêmio perde em campo. O importante parece ser vencer nos corredores.

Nenhum clube sobrevive quando a política se alimenta do próprio clube em vez de servi-lo.

O Grêmio não precisa de campanhas eleitorais permanentes. Não precisa de dirigentes que se comportem como candidatos profissionais.

Precisa de liderança, competência, planejamento e responsabilidade.

A torcida não exige milagres. Exige apenas que o futebol volte a ser a prioridade. Porque o patrimônio mais valioso do Grêmio nunca esteve nas salas do Conselho Deliberativo. Sempre esteve nas arquibancadas, onde milhões de gremistas continuam fazendo sua parte, enquanto esperam que quem ocupa o poder finalmente faça a sua.


(*) Marcelo Noronha, jornalista


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