MARCELO NORONHA | Quando a natureza avisa, o Estado precisa responder
Municípios necessitam de planos de contingência atualizados, rotas de evacuação conhecidas pela população, investimentos permanentes em monitoramento e uma integração eficiente entre Defesa Civil, prefeituras, Estado e União.
O tornado que atingiu o Rio Grande do Sul não foi apenas mais um fenômeno meteorológico Marcelo Noronha*
O tornado que atingiu o Rio Grande do Sul não foi apenas mais um fenômeno meteorológico. Foi um lembrete de que vivemos em um território onde eventos extremos podem surgir com rapidez, destruir patrimônios, interromper vidas e deixar marcas profundas nas comunidades. A natureza não pede licença. Cabe ao poder público estar preparado para responder.
Depois das enchentes históricas, o Rio Grande do Sul aprendeu, da forma mais dolorosa possível, que prevenção não é gasto. É investimento. Cada radar instalado, cada estação meteorológica modernizada, cada sistema de alerta aperfeiçoado e cada agente da Defesa Civil capacitado representa vidas que podem ser salvas.
A ciência explica que uma supercélula é uma das tempestades mais severas da atmosfera e que, em determinadas condições, pode gerar tornados. O conhecimento existe. A tecnologia também. O que não pode faltar é decisão política para transformar essas ferramentas em proteção efetiva para a população.
Não basta reconstruir depois da tragédia. É preciso construir antes da tragédia. Municípios necessitam de planos de contingência atualizados, rotas de evacuação conhecidas pela população, investimentos permanentes em monitoramento e uma integração eficiente entre Defesa Civil, prefeituras, Estado e União. A informação precisa chegar às pessoas no momento certo e de forma clara.
A cada novo desastre, multiplicam-se discursos de solidariedade. Eles são importantes, mas não suficientes. A maior demonstração de respeito à população é impedir que uma tragédia anunciada se repita pelas mesmas falhas de sempre.
O Rio Grande do Sul não pode controlar a força dos ventos, mas pode controlar a qualidade da sua preparação. Quando a natureza envia sinais, a pior resposta é a indiferença. A melhor é uma Defesa Civil forte, estruturada, valorizada e capaz de transformar conhecimento em proteção. É esse o caminho que separa o improviso da responsabilidade.

(*) Marcelo Noronha, jornalista






COMENTÁRIOS