MARCELO NORONHA | Adaptação climática: quando o planejamento deixa de ser escolha e passa a ser necessidade
A proposta de criação de uma Governança do Plano Regional de Adaptação Climática demonstra uma compreensão fundamental: nenhum município enfrenta sozinho os desafios impostos pelo clima.
Marcelo Noronha*
As mudanças climáticas deixaram de ser uma previsão distante. Elas já fazem parte da realidade dos municípios gaúchos, atingindo comunidades, infraestrutura, economia, saúde pública e o próprio planejamento das cidades. Diante desse cenário, iniciativas como o Programa AdaptaCidades do governo federa e acolhido pela ASMURC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera), representam um passo importante para que os municípios deixem de atuar apenas na resposta aos desastres e passem a trabalhar também na prevenção.
A proposta de criação de uma Governança do Plano Regional de Adaptação Climática demonstra uma compreensão fundamental: nenhum município enfrenta sozinho os desafios impostos pelo clima. Enchentes, estiagens, impactos ambientais e riscos sobre a infraestrutura ultrapassam limites territoriais. Por isso, a construção de uma estratégia regional, envolvendo Charqueadas, Arroio dos Ratos, São Jerônimo, Minas do Leão e General Câmara, fortalece a capacidade de planejamento coletivo.

A participação no 13º Fórum Gaúcho de Mudanças Climáticas, com apresentação da representante da ASMURC e integrante da ACDC (Associação Charqueadense de Defesa dos Direitos do Cidadão), Renata Magalhães, no Palácio Piratini, mostra que a Região Carbonífera busca inserir seus desafios e suas soluções no debate estadual. A articulação entre municípios, Defesa Civil, instituições e representantes técnicos é essencial para criar políticas públicas mais eficientes.

O projeto apresenta eixos que dialogam diretamente com a vida das pessoas: adaptação socioambiental, proteção dos ecossistemas, infraestrutura, saneamento, drenagem, resíduos, energia e monitoramento. Isso significa olhar para o clima não apenas como uma questão ambiental, mas como um tema de saúde, segurança, desenvolvimento e qualidade de vida.
Na minha avaliação, o grande mérito da iniciativa está em aproximar o planejamento climático da realidade local. Muitas vezes, as políticas ambientais ficam restritas a documentos e discursos, mas a adaptação precisa estar presente nas decisões diárias das administrações municipais: onde construir, como proteger áreas vulneráveis, como organizar a infraestrutura e como preparar as comunidades. Cito, como exemplo, a iniciativa da bancada do PT de Charqueadas que oficiou o executivo para que a Prefeitura de Charqueadas, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, busque junto à Associação dos Municípios da Região Carbonífera (ASMURC) a adesão ao programa AdaptaCidades, lançado durante o Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília (DF).
Também é importante destacar o papel da governança. Um plano só terá resultado se houver compromisso político, participação dos governos municipais e integração entre secretarias. A presença da Defesa Civil e a busca por representantes do Executivo nos grupos de trabalho mostram que a construção dessa rede precisa ser permanente.
A Região Carbonífera tem uma história marcada por transformações econômicas e ambientais. Agora, enfrenta o desafio de construir um futuro mais resiliente. O Programa Adapta Cidades surge como uma oportunidade para que os municípios se antecipem aos problemas, protejam suas comunidades e planejem um desenvolvimento que considere os limites e as necessidades do território.
O clima mudou. A forma de governar também precisa mudar. A adaptação climática não é mais uma agenda para o futuro, é uma responsabilidade do presente.

(*) Marcelo Noronha, jornalista





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