'A fábrica não vai para o Paraguai', afirma diretor-geral da CMPC no Brasil
Empresa reafirma compromisso com investimento de R$ 27 bilhões no Rio Grande do Sul e mantém expectativa de obter licença para fábrica em Barra do Ribeiro ainda em 2026
Manifestação ocorre após o executivo ter alertado, em maio, sobre a possibilidade de a multinacional avaliar alternativas caso não houvesse avanço na solução do impasse jurídico envolvendo o licenciamento da futura fábrica de celulose em Barra do O diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, reafirmou que o Projeto Natureza seguirá sendo desenvolvido no Rio Grande do Sul e descartou a possibilidade de transferência do empreendimento para o Paraguai. A declaração foi feita durante o evento Mapa Econômico do RS, realizado nesta quinta-feira (18), em Porto Alegre.
A manifestação ocorre após o executivo ter alertado, em maio, sobre a possibilidade de a multinacional avaliar alternativas caso não houvesse avanço na solução do impasse jurídico envolvendo o licenciamento da futura fábrica de celulose em Barra do Ribeiro.
Segundo Lacerda, a companhia permanece comprometida com o projeto e segue cumprindo todas as exigências legais e ambientais para viabilizar a instalação do empreendimento no Estado.
— A fábrica da CMPC não vai para o Paraguai. Nosso objetivo é que ela seja construída no Rio Grande do Sul. Estamos trabalhando dentro da legislação, seguindo todos os procedimentos exigidos pelos órgãos competentes e confiamos que o projeto será aprovado — afirmou.
Maior investimento privado da história do Estado
O Projeto Natureza prevê investimentos estimados em R$ 27 bilhões, configurando-se como o maior aporte privado já anunciado no Rio Grande do Sul. Além da nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, o plano contempla a construção de um terminal especializado para escoamento da produção no município de Rio Grande.
Nesta semana, a empresa recebeu licença prévia para o terminal portuário, considerada uma etapa importante para a execução do projeto.
A expectativa da CMPC é obter a licença ambiental para a fábrica até o final deste ano. O processo está em análise na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), que aguarda manifestações técnicas relacionadas às comunidades tradicionais existentes na área de influência do empreendimento.
Impasse judicial ainda gera debate
A tramitação do projeto enfrenta questionamentos apresentados pelo Ministério Público Federal (MPF), que ingressou com ação civil pública defendendo estudos complementares sobre possíveis impactos sociais e ambientais.
O órgão também sustenta a necessidade de realização de Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) junto às comunidades tradicionais potencialmente afetadas pela instalação da fábrica.
Por sua vez, a CMPC afirma que todas as etapas do projeto vêm sendo conduzidas em conformidade com a legislação ambiental brasileira e com as exigências dos órgãos fiscalizadores.
Governo do Estado reforça confiança
O governador Eduardo Leite também demonstrou confiança na permanência do investimento no Rio Grande do Sul. Segundo ele, o Estado continuará trabalhando para garantir segurança jurídica e condições adequadas para a implantação do empreendimento.
— Não trabalhamos com a hipótese de perder esse investimento. Vamos continuar atuando para que o projeto aconteça da forma correta e dentro das regras — declarou o governador recentemente.
Impacto econômico e geração de empregos
Para Antonio Lacerda, o Rio Grande do Sul reúne condições estratégicas para receber o empreendimento, não apenas pela disponibilidade de matéria-prima, mas também pela qualificação da mão de obra e pela cultura empreendedora da população gaúcha.
O executivo destacou que o projeto deverá impulsionar a geração de empregos, estimular novos negócios e promover investimentos em infraestrutura, ampliando a competitividade econômica do Estado.
Atualmente, a CMPC já mantém uma importante operação industrial em Guaíba, considerada a maior unidade da companhia no mundo. Desde 2009, a multinacional investiu cerca de R$ 25 bilhões na ampliação e modernização da planta, consolidando sua presença no Rio Grande do Sul.





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