Cemaden alerta para necessidade de prevenção diante de possível El Niño intenso em 2026
Nota técnica destaca risco de eventos climáticos extremos e defende ações antecipadas de preparação em todo o país
Nota técnica destaca risco de eventos climáticos extremos e defende ações antecipadas de preparação em todo o país Pesquisadores do Cemaden alertaram para a necessidade de reforço nas ações preventivas diante da previsão de atuação do El Niño no segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027. Embora ainda exista incerteza sobre a intensidade do fenômeno, especialistas afirmam que o cenário exige preparação imediata por parte dos governos e órgãos de defesa civil.
A avaliação consta em nota técnica divulgada pelo órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O documento aponta que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico já está em curso e pode resultar em um episódio climático de grande intensidade, apelidado por especialistas de “El Niño Godzilla”.
O coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Marengo, afirmou que o país ainda precisa avançar na cultura da prevenção de desastres.
— O Brasil é muito bom em reagir a desastres, mas não em se prevenir. Prevenir não é custo, salva vidas — destacou.
Intensidade ainda é incerta
Segundo os pesquisadores, os modelos climáticos internacionais indicam que o fenômeno já se desenvolve abaixo da superfície do oceano, mas ainda não é possível confirmar se o evento atingirá intensidade extrema.
A nota técnica cita projeções de centros meteorológicos da Europa, dos Estados Unidos e da Austrália, que apontam para possibilidade de um dos eventos mais fortes da história moderna. Apesar disso, os especialistas reforçam que previsões de longo prazo ainda possuem baixa confiabilidade.
Marengo explicou que fatores atmosféricos variáveis dificultam projeções precisas para os próximos meses.
— Acreditar em uma previsão para outubro é um pouco perigoso, porque os modelos têm limitações e a atmosfera muda constantemente — afirmou.
Nota técnica recomenda ações imediatas
O Cemaden defende que estados e municípios iniciem desde já medidas de prevenção para minimizar possíveis impactos provocados por chuvas intensas, enchentes, secas e incêndios florestais.
Entre as recomendações estão a limpeza de galerias e bueiros, reforço no monitoramento hidrometeorológico, acompanhamento do nível dos rios, avaliação das condições de encostas e revisão de áreas consideradas críticas.
O documento também orienta que radares meteorológicos, pluviômetros e sistemas de transmissão de dados sejam mantidos em pleno funcionamento.
Além disso, os pesquisadores destacam a necessidade de integração entre União, estados e municípios para alinhar ações de previsão climática, emissão de alertas e resposta rápida a desastres.
População deve ser treinada para emergências
Outro ponto considerado essencial é o treinamento da população para situações de emergência. O Cemaden recomenda a realização de simulados, definição de rotas de fuga e orientação clara sobre locais seguros em caso de enchentes, deslizamentos ou incêndios.
Segundo Marengo, alertas isolados não são suficientes sem preparo prévio da comunidade.
— Não adianta mandar alertas de chuva forte e orientar a procurar um lugar seguro se a população não sabe para onde ir — ressaltou.
O pesquisador também citou exemplos internacionais de preparação para desastres, como o uso de grandes aeronaves no combate a incêndios nos Estados Unidos e a cultura de prevenção adotada no Peru em relação a terremotos.
A nota técnica reforça que, independentemente da intensidade final do El Niño, o momento atual exige vigilância, planejamento e ações antecipadas para reduzir riscos e preservar vidas.






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