Câmara aprova urgência para projeto de anistia a golpistas
Decisão abre caminho para votação direta em plenário; 20 deputados gaúchos foram favoráveis e 11 contrários
Decisão abre caminho para votação direta em plenário; 20 deputados gaúchos foram favoráveis e 11 contrários A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (17), um requerimento de urgência para o Projeto de Lei (PL) 2162/2023, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que prevê a concessão de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A votação registrou 311 votos a favor, 163 contrários e 7 abstenções.
Com a urgência, o texto passa a tramitar de forma acelerada, dispensando análise em comissões temáticas e podendo ser levado a plenário a qualquer momento. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que designará um relator para elaborar um texto substitutivo que “encontre apoio da maioria ampla da Casa”.
— O Brasil precisa de pacificação. Não se trata de apagar o passado, mas de permitir que o presente seja reconciliado e o futuro construído em bases de diálogo e respeito — declarou Motta após o anúncio do resultado.
O que prevê o projeto
O texto de Crivella concede anistia a “todos os participantes das manifestações reivindicatórias de motivação política ocorridas entre 30 de outubro de 2022 e a data de entrada em vigor da lei”. A proposta abrange não apenas os que participaram presencialmente dos atos, mas também aqueles que prestaram apoio logístico, financeiro ou divulgaram conteúdos em redes sociais.
Além disso, o projeto perdoa multas aplicadas pela Justiça Eleitoral relacionadas ao período. Segundo o autor, a proposta é uma “resposta apaziguadora, de arrefecimento de espíritos e congraçamento dos contrários por meio do perdão soberano”.
Aliados de Jair Bolsonaro pressionam para que a anistia alcance também o ex-presidente, que na semana passada foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão.
Contexto
Os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 resultaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, por apoiadores de Bolsonaro inconformados com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, mais de 2,1 mil pessoas foram presas ou denunciadas pelo Ministério Público Federal, com condenações que variam entre 3 e 17 anos de prisão.
O debate sobre anistia vem sendo articulado por bolsonaristas há dois anos. Em 2023, um motim chegou a impedir o funcionamento do plenário da Câmara por dois dias em protesto contra prisões e condenações dos envolvidos nos atos.
Como votaram os deputados gaúchos
Todos os 31 deputados federais do Rio Grande do Sul participaram da votação, sem abstenções. Vinte foram favoráveis à urgência e 11 contrários.
A favor
- Afonso Hamm (PP)
- Alceu Moreira (MDB)
- Any Ortiz (Cidadania)
- Bibo Nunes (PL)
- Covatti Filho (PP)
- Daniel Trzeciak (PSDB)
- Danrlei (PSD)
- Franciane Bayer (Republicanos)
- Giovani Cherini (PL)
- Lucas Redecker (PSDB)
- Luiz Carlos Busato (União)
- Marcel van Hattem (Novo)
- Marcelo Moraes (PL)
- Márcio Biolchi (MDB)
- Mauricio Marcon (Podemos)
- Osmar Terra (PL)
- Pedro Westphalen (PP)
- Ronaldo Nogueira (Republicanos)
- Sanderson (PL)
- Zucco (PL)
Contra
- Afonso Motta (PDT)
- Bohn Gass (PT)
- Daiana Santos (PCdoB)
- Denise Pessôa (PT)
- Fernanda Melchionna (PSOL)
- Heitor Schuch (PSB)
- Elvino Bohn Gass (PT)
- Marcon (PT)
- Maria do Rosário (PT)
- Paulo Pimenta (PT)
- Pompeo de Mattos (PDT)






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