João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Gato da madrugada
Ser e estar, tão somente
João Adolfo Guerreiro
Na alta madrugada escura apenas o som da chuva, à distância cortado por trovões sem relâmpago. Os doces e curiosos sonhos da noite são repassados, enquanto o corpo se aquece sob o cobertor do sofá na penumbra da sala. Bom estar assim, de boa, usufruindo do ouro do silêncio. A vida é cada momento único de paz e plenitude. Ser e estar, tão somente.
O sono se insinua, dado o conforto. Será a mente, viciada em sonhar, desejosa de outras paradas oníricas? Gato branco da madrugada, ronronando no sofá! Pensa, sem coragem, num café com ovo frito. Mãe, onde estás? Morfeu vence.
Acorda já dia, agora mais valente. Levanta e vai pra cozinha, determinado. É segunda-feira e a chuva persiste. Um belo e gostoso dia cinza de chuva no início da primavera. Gotejou o dia inteiro. Deus existe.
Uma boa semana pra todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.




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