João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Uma crônica de quinta categoria
Ideal para uma quinta-feira
João Adolfo Guerreiro
Pois como prometi - embora quem promete é mentiroso - aqui estou com uma crônica de quinta categoria pra uma quinta-feira. O que é uma crônica de quinta categoria?
Uma crônica de quinta categoria começa com "era uma vez" e termina com "foram felizes para sempre", breguíssima como um conto infantil, embora com a possibilidade de se salvar no percurso, a travessia de Guimarães Rosa, eis que crônica é conversa e caminhada. A crônica de quinta conta piadas manjadas e sem graça e usa e abusa de chavões e lugares-comuns como se fossem achados. Faz fofoca da vida alheia e critica e ofende os outros de forma gratuita, sem provas, intrigueira.
Uma crônica de quinta categoria está mais preocupada em chocar do que em conversar, além de usar e abusar do recurso do riso fácil e, seguidamente, preconceituoso. Não se importa com o preço a pagar para obter leituras e tampouco com o prejuízo e a dor que causará a outrem, a FDP. Uma crônica de quinta categoria tem umbigo e boca grandes, mas é surda e cega. Fala de política como se fosse futebol, deste como se fosse religião e desta como se fosse ódio e medo. É contra as vacinas, espalha fakes, desinforma e debocha da dor alheia.
Uma crônica de quinta categoria é a quintessência da maledicência, a quinta-coluna do quinto dos infernos navegando na nau dos quintos atrás da Hy-Brazil, pelo Atlântico, até a costa oeste irlandesa. Que afunde pelo caminho e fique por lá.
Uma crônica de quinta categoria, inescapável e insofismavelmente, está abaixo do fiofó dos cachorros e é o cocô do cavalo do bandido. Sim, termino a rigor, com imagens batidas e manjadas, sem originalidade alguma, que é o que ela merece.




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