João Adolfo Guerreiro
JOÃO GUERREIRO | Quando a Vera voltar eles não estarão mais aqui
Já estou pronto pra ir
João Adolfo Guerreiro
As almas encarnadas que circundam os ambientes em que vivemos ou trabalhamos. As bergamotas e chocolates dele e os cafés dela serão sentida a falta. Não são conhecidos ou importantes fora deste pequeno círculo de nossa fauna humana, mas, aqui, importam. Muito.
Ele se foi, ela se vai. Ele, irremediável e inexoravelmente; ela, por opção. As pessoas e os livros acusarão suas ausências. O último livro que ele pegou, vejam só essas frequentes ironias da vida, foi "Se eu morresse amanhã". Parece que já sabia. Dizia estar preparado: "Já estou pronto pra ir. A hora que Deus quiser me levar. Tudo é Dele e para Ele". E alertava: "Se um dia eu ficar mais de dois meses sem aparecer, é porque eu morri". Não levou todo esse tempo. Adorava cantar e faria aniversário em agosto, como gostava de lembrar. Essas coisas parecem ser duas linhas que convergem para um ponto de intersecção que é também ponto final. Todo livro e toda vida fecham nele e seguem para o eterno.
Minha Vilda! O segundo melhor café passado da cidade. Era nosso, mas partirá para outras xícaras e sorrisos de agradecimento e satisfação, esquentando a alma de outros bules. A vida é o que ela é e as coisas são o que elas são. Parece que não escrevi nada, mas escrevi tudo. Jamais esqueçam que estamos brevemente sobre um planeta que gira pelo espaço ao redor de uma estrela finita e isso é tudo o que realmente sabemos. E ela vai, na direção em que seu sorriso cativante aponta. Deixará lembrança e saudade. Fará falta.
Farão falta! Segue a lida, Vera. Hoje chove e é Dia dos Namorados no Brasil. Aliás, ontem começou a Copa e a Seleção jogará amanhã. E quando Vera voltar eles não estarão mais aqui. O mundo gira e a Lusitana roda.
Um bom final de semana para todos. Cuidem-se, vacinem-se, vivam e fiquem com Deus.



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