João Adolfo Guerreiro
JOÃO GUERREIRO | Minha mãe nasceu tomando Coca-Cola?
Tudo é muito recente no mundo
João Adolfo Guerreiro
Minha saudosa genitora nasceu em janeiro de 1944. Um ano depois já havia Coca-Cola no Rio Grande, tchê. Li na ZH do findi, no Almanaque Gaúcho do Staudt. No Brasil, chegou em 1942 o refrigerante inventado nos EUA, em 8 de maio de 1886.
Assim, não sei se havia Coca-Cola lá na Colônia da Ivonezinha na década de 1940 - meus avós, pais e tios já se foram, não tem como perguntar pra eles agora - mas, supondo-se que sim, minha mãe praticamente nasceu com a Coca-Cola campeando por estes pagos. A Água Negra do Capitalismo, como o tricolor e escritor Peninha Bueno a chama. "Todo mundo já tomou a Coca-Cola E a Coca-Cola já tomou conta da China", cantou o tricolor engenheiro do Hawaii Humberto Gessinger. E a China agora toma conta do mundo, vejam só. O mundo gira e a Lusitana roda: o de cima sobe e o de baixo desce.
Tá, mas voltemos à Água Negra. Ela chegou por aqui primeiro e a Pepsi-Cola só dez anos depois, lá por 1953 (nos EUA, foi criada em 1893 e nomeada Pepsi em 1898). Entretanto, sua prima e concorrente tomou conta do campinho até 1989, quando a Coca-Cola passou a dominar o mercado brasuca. Pensando bem, na minha memória eu só tomava Pepsi-Cola... Será que minha mãe a preferia também? Puxa, agora me deu um nó na cachola. Memória, sua infiel contumaz! Apego-me aos fatos: a Coca-Cola chegou primeiro no Brasil, no Rio Grande e, por conseguinte, na Colônia, logo, minha mãe cresceu tomando Coca-Cola. Dava pra comprar no Bar do Zi, no Bar e Armazém Acosta e na Tenda da Dona Jussara. Mas isso já era na Colônia do meu tempo de guri, no da Ivonezinha deveria ser na copa do Clube Americano, onde o vô Adolfo, pai dela, o bonitão da família, era ecônomo.
Então a Coca-Cola existe a apenas 140 anos recém-completos, assim como o futebol, e a Coca-Cola patrocina o álbum de figurinhas da Copa, que será nos EUA. Que mistureba! No Rio Grande é um ano mais nova que minha mãe, 81 anos. Tudo isso não é nada, se pegarmos, por exemplo, o recorte de tempo dos faraós pra cá. Coisa novinha em termos de humanidade.
Eu e o Portal não estamos ganhando um dólar sequer por esta crônica que, por caminhos diversos, fez publicidade pro refrigerante, tudo porque li a ZH no domingo e lembrei da mãe.
Mas bah, tchê bagual!




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