Seja bem-vindo
São Jerônimo, RS,12/05/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Viver e morrer na montanha

Os elos da corrente mortal se fecharam

Arquivo Pessoal
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Viver e morrer na montanha

João Adolfo Guerreiro

Muitas pessoas que viajam de Charqueadas para o Chile de busão, por um tradicional intercâmbio entre escolas, relatam sintomas como dor de cabeça, ar que não chega suficiente, pressão nos ouvidos, coisa e tal; e também equipes de futebol brasileiras quando vão jogar as altitudes latinas, reclamam de coisas parecidas, necessitando aclimatação. Nesses casos, falamos de altitudes na casa dos dois mil e tantos, três mil metros acima do nível do mar. No pico mais alto da Terra, o Everest, entre o Tibete e o Nepal, na Cordilheira do Himalaia, com altura de 8.848 metros, o acampamento "base" dos alpinistas fica a... 5.400 metros!

 

Em muitos vídeos no YouTube, a gente vê turistas indo de busão pra conhecer o acampamento base e já passando mal. Só ele, vê-se, não é pra qualquer mortal. Além do base, existem outros quatro acampamentos (foto abaixo) até o momento do "ataque ao cume": 1, 5.943 metros; 2, 6.500 metros; 3, 7.300 metros; e, finalmente, o 4, a 7.900 metros, este já situado na chamada "zona da morte". Por qual motivo esse nome? Porque a partir da altitude de 7.600 metros o ar rarefeito possui apenas um terço do oxigênio encontrado a nível do mar, o que torna extremamente difícil o funcionamento corporal e mental mesmo de humanos saudáveis e bem condicionados fisicamente que cumpram rigorosamente o protocolo de aclimatação à montanha (não entrarei nessa minúcia aqui). E permanecer nessa altura mais do que 24 horas é correr um alto risco de morte, porisso os alpinistas, após a aclimatação, voltam pro acampamento 3 pra um descanso final, a fim de retornar ao 4 e já tentarem o cume, visto essa janela de tempo de segurança.

 

Buenas, tive de escrever tudo isso acima pra vocês entenderem minimamente a história que resumidamente contarei nesta crônica: a MORTE DE OITO ALPINISTAS NO EVEREST EM 1996, há 30 anos, cinco deles escalando o flanco sudoeste da montanha, pelo Nepal (desenho abaixo).

 

Everest é o nome ocidental britânico do pico, dado em 1865 em homenagem a um topógrafo inglês. Para os nativos é um local sagrado chamado de Sagarmatha (Deusa do Céu) pelos nepaleses e Chomolungma (Mãe do Universo) pelos tibetanos. Desde 1921 se buscou o cume, primeiro os ingleses e, desde então, começou a morrer gente na tentativa. A mais famosa das expediçoes iniciais foi a terceira, de 1924, onde os alpinistas ingleses Mallory e Irvine morreram (contarei aqui essa história no inverno), sem se saber se atingiram ou não o topo. Em 1921, morreram um inglês e um sherpa e, em 1922, sete sherpas. Sherpas, basicamente, são o povo que vive no entorno do Everest, já aclimatados e, por isso, contratados como equipe de apoio por alpinistas ocidentais até hoje. Oficialmente, o Everest foi conquistado às 11:30h de 29 de maio de 1953, durante outra expedição britânica, pelo neozelandês Edmund Hillary e o sherpa nepalês Tenzing Norgay.

 

A TRAGÉDIA

 

Depois desse dia, vários outros alpinistas repetiram o feito e quase 43 anos depois, em 10 de maio de 1996, duas equipes de guias profissionais e sherpas buscavam levar ao cume clientes amadores que tivessem 65 mil dólares pra pagar: a primeira, a Adventure Consultants, liderada pelo neozelandês Rob Hall; a segunda, Mountain Madness, pelo estadunidense Scott Fischer. Entre 10 e 11 de maio, estes protagonistas estariam envolvidos no que seria o maior número de mortes no Everest acontecido num mesmo dia, desde 1921.

 

Esse tipo de serviço já era comum naquela década. Hall já levara 39 pessoas ao topo desde 1990, embora nenhuma no ano anterior, devido a questões técnicas e climáticas que o fizeram abortar a escalada final. Fischer, outro renomado guia de alta montanha, estava entrando no negócio no Everest como seu concorrente, investindo pesado: contratara o famoso alpinista cazaque Anatoli Boukreev por 25 mil dólares, prodígio em escalada de picos acima de 8 mil metros no Himalaia, todos sem o uso de oxigênio suplementar, o Everest um deles, em duas oportunidades. E a concorrência era também por publicidade, eis que a mesma era o melhor cartão de visitas para atrair cliente$: Hall saiu na frente, incluindo em seu grupo o jornalista Jon Krakauer, correspondente da revista Outside; Fischer respondeu com a socialite e aventureira Sandy Pittman, pela NBC Interactive Media, para a qual faria o blog NBC Everest Assault, via satélite, diretamente do Everest, durante a escalada. Entretanto, a disputa de narrativas sobre a tragédia se deu entre o artigo e o livro de Krakauer e outro livro, publicado por Boukreev (imagem acima).

 

Em suma, Adventures e Madness estavam pre$$ionados para levar seu$ cliente$ ao topo naquele maio de 1996... Negócio$. Bu$$ine$.

 

Dentro da janela de segurança pra chegar ao pico, havia também a questão da volta. Sim, porque escalar uma montanha é tanto subir quanto descer, né? Ir e voltar. Detalhe: grande parte das mortes no Everest se dá justo na volta, como ocorreu em 1924 com Mallory e Irvine. Pudera: mesmo com oxigênio suplementar, até um alpinista profi, como líderes, guias e sherpas, sentem o repuxo do tirão seco, acusando o cansaço e os efeitos do pouco oxigênio no agir e no pensar. O que se dirá então dos clientes  amadores? Aqui é bom mencionar que não era qualquer pessoa, mesmo com grana, que era aceita no grupo. Os candidatos tinham que possuir certa experiência em alpinismo. Em variados graus, todos em 96 a possuíam, mas em nível, digamos, amador avançado, o que não os habilitava, de forma alguma, a tentarem o feito sem a tutela e a megaestrutura das equipes e de seus profissionais, além de monstros do alpinismo como Hall, Fischer e Boukreev. Havia clientes dos 30 aos 68 anos, a maioria na casa dos 40. Uma boa parte, aliás, desistia pelo caminho.

 

SOMATÓRIO DE DETALHES

 

Tá, mas e qual era a hora limite pra chegar ao cume e retornar com segurança ao acampamento 4? Entre 13 e 14 horas, pra não ser pego descendo no escuro a montanha, sujeito ao frio noturno (entre 40 e setenta graus negativos na primavera nepalesa), aumento da velocidade do vento (100 km/h) e uma nevasca repentina. Guardem esse detalhe, pois ele fez toda a diferença entre a vida e a morte naquele dia.

 

Tanto no livro de Krakauer quanto no de Boukreev, a partir do ponto de vista de cada autor, ambos membros sobrevivente da fatídica escalada, vamos observando, como diz o youtuber Lito em seus vídeos sobre acidentes aéreos (canal Aviões e Canções), "os elos da corrente se fechando" rumo à tragédia. Sim, um somatório de pequenos erros, em seu conjunto, causaram o fato. O Titanic não afundou por andar a toda velocidade, pra chegarem cedo à New York e ganharem publicidade, para tirar cliente$ da concorrência? Por terem perdido o binóculo dos vigias da torre de observação? E muitos não se afogaram pela negligência na ocupação dos botes salva-vidas, priorizando-se rico$? Pois então.

 

ONDE ESTÃO AS CORDAS? 

 

Contudo, Rob e Scott não eram duas hienas disputando carniça, bem pelo contrário: uniram forças e juntaram os recursos das duas equipes para atacarem o cume juntos, no mesmo dia. E foi aí que um dos erros determinantes para o desfecho ocorreu. Os sherpas fazem de tudo: a comida, o chá, carregam as coisas, vão na frente montando os acampamentos e, principalmente, as escadas e cordas por onde guias e clientes escalarão, ganhando entre mil e dois mil e quinhentos dólares. O "sidar" é o sherpa que chefia os colegas de determinada equipe. Ficou acertado que os sidar da Madness e Adventures iriam na frente e colocariam as cordas para um trecho difícil durante o ataque, o que não aconteceu. Não se sabe ao certo o motivo, se decisão de Hall e Fischer ou se pelo sidar da Madness, que carregava os equipamentos de comunicação de Sandy Pittman - e também a puxava por uma corda, para ajudá-la a subir - ter cansado e não se apresentado para a tarefa, deixando o colega da Adventures sem ação. O fato é que quando guias e clientes chegaram naquele ponto, nada. Os guias da Madness Boukreev e Neil Beidleman tiveram de realizar o serviço, e aquela hora e pouco perdida, em que os clientes ficaram engarrafados, em fila indiana, esperando no frio da zona da morte, revelaria-se fatal mais adiante. O primeiro elo se fechara.

 

NÃO ERA PRA VOLTAR, NO MÁXIMO, ATÉ AS 14 HORAS?

 

Boukreev, Krakauer - o mais experiente e capacitado dos alpinistas amadores - e Beidleman, com outros guias, chegaram sucessivamente ao cume por volta das 13 horas, dentro do horário de segurança para o retorno. Krakauer permaneceu cinco minutos no topo e já desceu, preocupado que estava com o nível de seu oxigênio suplementar. Sobreviveu. Boukreev também desceu minutos depois, deixando Beidleman para esperar os clientes e descendo para encontrar Fischer, que vinha por último a fim de monitorar a subida do grupo. Encontrou o líder bem abaixo, lento, e combinaram que o cazaque desceria para o acampamento 4 a fim de recuperar forças para ficar de prontidão para alguma necessidade, enquanto Fischer subiria junto com clientes retardatários. O que poucos sabiam é que Scott estava doente, além de ter se desgastado muito física e mentalmente durante a escalada, subindo e descendo frequentemente a fim de resolver problemas com clientes, sherpas e insumos, tornando o grande alpinista presa fácil dos efeitos do ar rarefeito. Eis um outro elo da corrente se fechando.

 

Enquanto isso, Hall se via num dilema técnico e pessoal: ele estabelecera, acertada e prudentemente, embasado na teoria, na técnica e na experiência, o limite máximo de 14 horas para o retorno; quem ainda não tivesse subido, babaus, ficaria pra outro ano. Só que o cliente estadunidense Doug Hansen, cansado, lento, mas obstinado, estava lá em cima, novamente. No ano anterior, estava a 100 metros do cume, quando Hall abortou a subida final, às 14:30h, já passado o limite. Douglas era carteiro, trabalhara anos pra juntar os dólares pra realizar seu sonho. Aquilo mexeu com Hall, que o convidou pra retornar novamente em 1996, dando um grande desconto e facilitando o pagamento. E agora, o que fazer? Limar novamente o sonho do carteiro, isso se ele estivesse disposto a obedecer? Hall decidiu: não. Era um risco que correria junto com Doug, lhe devia isso. Outro elo da corrente se fechou.

 

A TEMPESTADE

 

Às 14:30h todos os clientes da Madness haviam conquistado o Everest, ficando no cume até as 15:10h para comemorar e bater fotos. Fischer chegou às 15:40h e desceu às 15:55h. Doug chegou 16h, onde Hall o aguardava; permaneceram um minuto e começaram o retorno, já retardatários. Só que então já se iniciara uma forte tempestade não prevista, logo abaixo, que já fustigava todos os que já desciam, inclusive Krakauer e Boukreev. Ambos escreveram em seus livros que também foram surpreendidos pela rapidez com que o clima mudou, repentinamente. Isso, em certa medida, é relativizado pela decisão dos alpinistas de outra expedição das onze que por lá estavam naquele início de maio, a MacGillivray Freeman Imax/Iwerks, que rodava um filme e pretendia ir no dia 9 ao topo, mas abortou por não considerar o clima confiável, conforme a decisão dos renomados alpinistas que a integravam: David Breashers, Ed Viesturs e Jamling Norgay. O último elo da corrente estava fechado.

 

Fischer quedou exaurido, com dores e com a capacidade de decisão afetada. Doug morreu e Hall, com as pernas congeladas, permaneceu imóvel. Andy, um dos guias da Adventures, subiu para levar a Hall oxigênio e desapareceu. Os demais, com exceção de Boukreev, se arrastaram até o acampamento 4, enfrentando o vento de cerca de 100 km/h, o frio de 70° negativos e a baixa visibilidade. Krakauer foi o terceiro a chegar, entrou na barraca às 18:45 e desfaleceu. Desde às 18:30h as luzes do dia desapareceram do céu. A uns 300 metros verticais do acampamento, os guias Beidleman (Madness), Mike Groom (Adventures), dois sherpas da equipe de Fischer e sete clientes andavam perdidos, eis que neste momento a tempestade virou um furacão e a visibilidade caiu para seis metros. Andaram sem rumo por cerca de duas horas, daí pararam amontoados atrás de uma pedra a fim de se defenderem minimamente do vento e evitarem o perigo de cair no penhasco. Por volta da meia noite o mau tempo amainou e dava pra ver estrelas no céu. Como os demais já estivessem incapacitados de se moverem, os dois guias, dois clientes e os dois sherpas saíram para buscar socorro no acampamento, deixando para trás cinco clientes. Às 00:45h, já no dia 11 de maio, chegaram no acampamento base e desabaram.

 

O RESGATE

 

Boukreev estava no acampamento 4 desde às 17h. Por volta das 19:30h saiu em busca dos 19 alpinistas perdidos, mas não encontrou ninguém e voltou às 21 horas. Sem saber, esteve a uns 180 metros do grupo na rocha. Com a chegada de Beidleman e os outros, soube da localização do grupo e foi resgatá-los sozinho, pois não havia nenhuma outra pessoa em condições no acampamento. Procurou por uma hora, não encontrou, voltou e falou novamente com Beidleman e saiu para outra tentativa de resgate. Encontrou. Estavam todos incapacitados, sendo que dois, a japonesa Yasuko Namba e o estadunidense Beck Weathers, pareciam estar mortos. Primeiro o cazaque resgatou Charlotte Fox, voltando para buscar Sandy Pittman e Tim Madsen. Chegaram ao acampamento 4 às 04:30h do dia 11, com o céu clareando.

 

"MORTOS", "MÚMIAS" E MORTOS 

 

No início da manhã do dia 11, um grupo de sherpas com o cliente Stuart Hutchison, um médico canadense, foi ver Beck e Namba que, para surpresa de todos, ainda respiravam, agonizantes. Os sherpas disseram a Stuart que seria inútil o esforço de resgatá-los, pois já estavam condenados. Boukreev, por sua vez, escalou o Everest e encontrou Fischer sem vida por volta das 07 horas. Estava com 40 anos. Dois corajosos sherpas, sem sucesso, tentaram durante a noite subir a montanha para resgatar Hall, que até as 6h ainda resistia e chegou a falar por rádio, via satélite, com a esposa, grávida. Morreu aos 35 anos. Ambos os líderes faleceram como capitães de navio, sem abandonar o pico antes dos últimos clientes. 

 

Para a surpresa de todos, ainda pela manhã do dia 11, foi visto alguém se aproximando do acampamento 4, andando sem dobrar os joelhos, com o rosto desfigurado e um braço levantado, com a mão sem luvas, preta. Maior surpresa ainda: era Beck! Seu estado era tão desesperador que o medicaram e colocaram numa barraca, coberto por dois sacos de dormir. Pois não é que na madrugada do dia 12 outro furacão acossou o acampamento, detonando com a barraca onde o deixaram? O vento o derrubou no chão e levou os sacos de dormir. Todos se preparavam pra descer aos acampamentos abaixo e ninguém tinha coragem de ir ver Beck, julgando-o morto. Krakauer foi até a barraca e, ao entrar, ouviu do "morto": - Jesus Cristo! O que é que um cara precisa fazer pra obter um pouco de ajuda por aqui? O fato é que, com o barulho ensurdecedor do vento trepidando a lona das barracas, ninguém escutou seus pedidos de socorro. Sem o nariz, uma mão e os dedos da outra, sobreviveu.

 

Por fim, morreram Scott Fischer, Rob Hall e, de sua equipe, o guia neozelandês Harris (31 anos) e os clientes Yasuko Namba (47 - então a mulher mais velha a chegar ao topo) e Doug Hansen (46). Os outros três óbitos foram da expedição da polícia de fronteira indo-tibetana, que escalaram pelo lado tibetano, na crista nordeste - a mesma utilizada por Mallory e Irvine em 1924: Tsewang Smanla, Tsewang Paljor e Dorje Morup, que, às 16 horas do dia 10 de maio, chegaram aos 8.700 metros.

 

Até hoje, somente nos dias 18 de abril de 2014 e 25 de abril de 2015 morreram mais pessoas que de 10 para 11 de maio de 1996 no Everest: respectivamente, 15 e 17 mortes, em ambos os casos por avalanche. Até 2024 morreram cerca de 344 pessoas na montanha, mais de um terço destas sherpas: 133 nepaleses, 28 indianos, 21 estadunidenses, 20 ingleses, 19 japoneses, 3 neozelandeses e 1 brasileiro, dentre outras nacionalidades. Surpreendentemente, 1996 não foi percentualmente um ano com muitas mortes - 12 no total. A média de alpinistas que morrem ao escalar o Everest ao ano é de 3,3%, enquanto em 1996 foi 3%.

 

OS LIVROS

 

A base para meu texto foram os livros No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer, e A Escalada, de Anatoli Boukreev - imagem acima. O primeiro tinha 42 anos em maio de 1996; o segundo, 38. Jon ainda vive; Anatoli faleceu em 25 de dezembro de 1997, aos 39 anos, pego por uma avalanche durante uma escalada. O livro do jornalista Krakauer é um best-seller do Jornalismo Literário, fácil de encontrar, custando  torno de 20 reais ou menos nos sebos; o do alpinista Boukreev, escrito a quatro mãos com G. Weston De Walt, escritor e cinegrafista, é uma edição mais rara que custa na casa dos 200 reais ou mais. Se quiserem conhecer com profundidade de detalhes e minúcias o fato, a leitura de ambos é obrigatória, eis que trazem outros elos da corrente, algus sob óticas diferentes, que, por motivo de espaço, não coloquei aqui.

 

Deixo abaixo um vídeo que faz um bom resumo sobre o maio de 1996, com imagens bem legais e didáticas, mas advirto que o mesmo possui, além das óbvias lacunas de detalhes e minúcias, algumas imprecisões, embora não nao seja nada que comprometa a linha básica dos fatos.


Vídeo YouTube: O dia mais mortal do Everest







COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.