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São Jerônimo, RS,23/04/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Juarez, o Tanque

O Leão do Olímpico, avô do Cardozão

Reprodução
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Juarez, o Tanque

João Adolfo Guerreiro

A gente se encontra pelas quebradas da vida das formas mais inesperadas e inusitadas.

Sempre gostei de história, quase prestei vestibular para, mas a sociologia me pegou porque ansiava por entender o funcionamento da sociedade, seus mecanismos e leis. O gosto pela história, todavia, permaneceu, manifestando-se em vários dos meus interesses, como no futebol e, particularmente, no Grêmio. Assim, li muito sobre o passado do clube, desde sua origem, dos fatos aos personagens.

Um deles, como não poderia deixar de ser, foi o famoso centroavante Juarez "Tanque" Teixeira, recentemente falecido, dia 6. Foi um dos astros do grande time que obteve treze títulos em quatorze disputados, entre as décadas de 1950/60, treinado pelo gigante Oswaldo "Foguinho" Rolla.

E uma dessas quebradas da vida foi no meu local de serviço, uma quebrada-mor por natureza. Entrou uma turma nova e um dos novatos foi encaminhado pro meu posto. Bati o olho nele e achei parecido com alguém. Apresentações e perguntas de praxe,  lembrei da fisionomia. 

- Colega, tu é muito parecido com um cara famoso, das antigas.

- É mesmo? Com quem?

- Com o Juarez Tanque, um baita centroavante que o Grêmio teve. Já ouviu falar?

Ele me olhou surpreso e respondeu:

- Claro que sim, é meu avô. 

Daí eu é que fiquei surpreso, um pouco incrédulo, até, confesso.

- Ah, para. Verdade mesmo?

- Sim, verdade. Meu nome é Juarez por causa dele, inclusive. 

Sim, o nome do colega era Juarez Cardozo, o chamávamos de Cardozão. O Tanque era, se não me engano, avô materno dele. Bom, nos encontramos, né, eu e o Tanque neto. Conversamos muito sobre o Tanque avô e ele me disse muita coisa. Que ele parou no futebol e se aposentou trabalhando como guarda na Caixa Estadual. O Cardozão iniciou no futebol, na base do Grêmio,as sua carreira não aconteceu, embora o avô muito o tenha ensinado. Confesso que fiquei grato por ter trabalhado com o neto de uma lenda que eu admirava. 

Juarez "Tanque" Teixeira era catarinense de Blumenau, nascido justo num 20 de Setembro, em 1928, logo faria 98 anos em 2026. Jogou de 1955 a 1962 no Grêmio, onde foi pentacampeão gaúcho (1956 - 1960) e se tornou o quarto maior goleador da história do clube, com 205 gols em 306 jogos (média de 0,67 por partida), atrás apenas de Alcindo, Tarciso e Gessy. Estreiou em 31/3/1955, num Grêmio 7x0 Seleção de Paysandu (Uruguai) e seu último jogo com o manto tricolor foi em GreNal, vencido por 2x0, em 16/12/1962. Conselheiro do Imortal de 1983 a 2013, foi homenageado em 2023 na Arena com uma placa pelos seus 95 anos.

Foi convocado para a Seleção Brasileira durante seu período de Grêmio, sendo por ela campeão do Pan-americano de 1956. Em 1960, marcou três gols atuando pela Canarinho.

Não tive a honra de conhecer pessoalmente o Tanque, só pela história e as fotos dos livros, como as que ilustram este texto, onde dá pra perceber que o Cardozão é muito parecido com ele. Como os grandes, entrou para a história. Vida longa na eternidade para o Juarez Tanque, avô do Cardozão, o Leão do Olímpico.




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