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São Jerônimo, RS,24/03/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Tio Chuck e eu

O cara tinha postura

Divulgação
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Tio Chuck e eu Chuck Norris

João Adolfo Guerreiro

Quem foi jovem neste canto ocidental e latino-americano do planeta nos anos 1980 não ignora a presença de Chuck Norris. Não passei incólume a esse contato.

Chuck Norris não foi um caso de ideologia, mas de postura: construiu uma persona e uma personagem séria, correta. Sua morte entristeceu boa parte do Ocidente. Seus filmes, na maioria, eram ruins, imantados de fanfarronice alfa e overdose de testosterona, mas sua postura é o que salvava tudo. Não fingia superpoderes éticos e morais, era o que era, de verdade até em suas limitações cênicas, por isso quase não havia diálogos em suas atuações. E isso era verdade, integridade e inteligência e foi, aliada a sua incontestável excelência nas artes marciais, a chave para seu carisma, sucesso e respeitabilidade junto ao público. Era o que era, sem precisar mentir ou fingir. As pessoas respeitam o que é verdadeiro.

Chuck era o tio ou o avô de direita que os sobrinhos e netos de esquerda, mesmo discordando, respeitavam, pois não soava falso ou mentiroso, apesar dos exageros. Certa vez, por meados da década de 1980, andava eu pela Avenida Salgado Filho, na Capital, no trecho onde ficava o fim da linha dos busões. Passei em frente ao cine São João, onde estava em cartaz um filme seu, A Invasão dos Estados Unidos. Entrei para assistir tiro, porrada e bomba na sala com nome de santo.

Horrível o filme (assistam o trailer abaixo), fanfarronice em cima de fanfarronice, principalmente a clássica: o herói de metralhadora eliminando dezenas de adversários fortemente armados sem levar tiro. Típica fita de ação estadunidense oitentista, maniqueista e bravateira, com super-herói de carne e osso. Mas era Chuck e seu carisma em cena, e ele tinha postura e se salvava no pântano - no caso do filme, literal e literariamente. Era, apesar de tudo, um cara correto fazendo a coisa certa, enfrentando inimigos externos e corruptos internos para salvar seu país e seu povo do mal.

Stallone, Arnold e todos os que vieram depois dele reproduziram a receita fanfarronice + postura e se deram bem. Arnold chegou, inclusive, a governador da Califórnia. Tá, o Stallone do primeiro Rambo não conta, era realista, político, intelectual e bem escrito.

Sai decepcionado do São João há quarenta anos, pois aquele tipo de filme, infelizmente, não supria mais minhas exigências de realidade e complexidade: as historinhas de ação e aventura que o tio Chuck me contava na adolescência não mais entretinham o homem adulto em construção, embora a afeição permanecesse intacta, pois postura é postura, gera respeito e admiração. 

Depois ele renasceria através dos memes na Internet, hilários e impagáveis ao elevar a níveis extremos justamente as fanfarronices e exageros da personagem de sua filmografia. Virou, definitivamente, lenda. E ele merecia. Se havia um cara que merecia esse reconhecimento pop, era Chuck.

Sim, saber de sua morte tocou. Ainda estava inteiraço, achei que passaria dos cem. Olhei aquele filme do Stallone, Mercenários, só porque ele e Arnold estavam em cena. E o ingresso valeu por aquela curta fala sobre a cobra que morreu envenenada e em agonia, após morder Chuck. Eh, eh, eh, eh.

Valeu por tudo, tio Chuck. Fica com Deus. Não bateu no Ceifeiro, né?

A Invasão dos EUA - trailer legendado, YouTube



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