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São Jerônimo, RS,20/08/2026

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MARCELO NORONHA | A região Carbonífera não pode mais viver de promessas

Olho para a ERS-401 e vejo uma estrada que deveria ser tratada como um importante eixo regional, mas que enfrenta problemas que não combinam com a importância que possui. Em muitos trechos, a falta de pintura e de iluminação reforça uma sensação de aband

Arquivo Pessoal
MARCELO NORONHA | A região Carbonífera não pode mais viver de promessas ERS-401
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Marcelo Noronha*

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Com o início da campanha eleitoral, chegou a hora de trocar discursos bonitos por projetos, números, prazos e compromissos que possam ser cobrados depois da eleição.

No dia 16 de agosto começou oficialmente a propaganda eleitoral das Eleições 2026. A partir de então, candidatos podem apresentar suas propostas nas ruas, na internet e nos diferentes espaços de comunicação. O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu essa data como o início da propaganda eleitoral geral.

E eu penso que, para nós da região carbonífera, este deveria ser também o início de uma mudança de comportamento. Não apenas dos candidatos, mas principalmente dos eleitores.

Porque, se existe uma coisa que a nossa região conhece muito bem, é promessa.

Ao longo da minha vida, ouvi inúmeras vezes falar sobre a necessidade de uma ponte ligando São Jerônimo a Triunfo. Uma obra que poderia transformar a logística regional, aproximar municípios, facilitar deslocamentos, fortalecer a economia e abrir novas possibilidades de desenvolvimento.

Mas eu continuo fazendo uma pergunta simples: onde está o projeto?

Não estou perguntando pelo discurso. Não quero saber apenas quem é favorável à ponte. Não me interessa somente ouvir que a obra é importante, necessária ou estratégica.

Eu quero saber: qual é o projeto? Quanto vai custar? Quem vai pagar? De onde virão os recursos? Qual órgão será responsável? Existe estudo de viabilidade? Existe licenciamento? Existe projeto executivo? Qual é o prazo? Qual é a previsão de execução?

Essas são perguntas que o eleitor da região carbonífera precisa começar a fazer.

Porque promessa sem projeto é apenas promessa.

E promessa eleitoral, quando não vem acompanhada de planejamento, orçamento e responsabilidade, pode se transformar em uma fotografia bonita para a campanha e em uma enorme frustração para a população depois da eleição.

Eu tenho a sensação de que a nossa região está esquecida.

Olho para a RS 401 e vejo uma estrada que deveria ser tratada como um importante eixo regional, mas que enfrenta problemas que não combinam com a importância que possui. Em muitos trechos, a falta de pintura e de iluminação reforça uma sensação de abandono que não deveria ser normalizada.

Ao mesmo tempo, a região perdeu parte importante da identidade econômica que durante décadas esteve ligada ao carvão. A atividade carbonífera foi um dos alicerces da nossa história, da formação das nossas cidades e da vida de milhares de famílias.

Mas qual é o projeto para o futuro?

Essa é outra pergunta que eu gostaria de ouvir nas campanhas.

Não quero que alguém simplesmente diga que vai trazer desenvolvimento para a região. Eu quero saber qual desenvolvimento. Não basta prometer emprego. É preciso explicar de onde virão os investimentos, quais setores serão estimulados, qual infraestrutura será necessária e como os municípios participarão desse processo.

Eu não vejo, hoje, um grande projeto regional capaz de nos dar alento para uma nova versão da região carbonífera.

E talvez essa seja uma das nossas maiores dificuldades.

Enquanto continuamos discutindo pequenas disputas políticas, cargos, protagonismos e interesses eleitorais imediatos, poderíamos estar construindo uma agenda regional de verdade.

Uma agenda que envolvesse São Jerônimo, Charqueadas, Triunfo, General Câmara, Butiá, Minas do Leão e os demais municípios da região.

Uma agenda que discutisse infraestrutura, logística, educação, saúde, geração de empregos, turismo, tecnologia, indústria, transição econômica e novas oportunidades.

Uma agenda que não dependesse apenas da próxima eleição.

Porque eu não acredito que uma região possa construir seu futuro esperando que, a cada quatro anos, algum candidato apareça com uma nova promessa salvadora.

E é justamente por isso que considero esta eleição uma oportunidade.

Não para acreditar mais.

Para perguntar mais.

Quando alguém prometer uma ponte, eu quero saber onde está o projeto.

Quando prometer uma estrada, quero saber quanto custa e quem vai pagar.

Quando prometer emprego, quero saber qual empresa virá, qual investimento será feito e quantas vagas serão criadas.

Quando prometer desenvolvimento, quero saber qual é o plano.

Quando prometer recursos, quero saber de onde virão.

Quando prometer uma obra, quero saber o prazo.

E quando alguém disser que vai defender a nossa região, eu quero saber o que pretende fazer concretamente para que ela deixe de ser apenas um território lembrado durante a campanha eleitoral.

Porque eu começo a me incomodar com essa transformação da política em uma espécie de bacia de promessas vagas.

Promete-se muito. Explica-se pouco.

Grava-se vídeo. Publica-se nas redes sociais. Busca-se o like. Compartilha-se a fala. Faz-se uma fotografia. Produz-se um discurso emocionante.

E depois?

Depois, muitas vezes, sobra apenas o vídeo.

Eu não quero mais ser convencido por vídeo. Quero ser convencido por projeto.

Não quero apenas ouvir quem conhece os problemas. Quero conhecer as soluções.

Não quero candidato que apenas diga aquilo que eu gostaria de ouvir. Quero alguém que tenha coragem de apresentar aquilo que realmente pode fazer.

A campanha começou. E, com ela, começa também a nossa responsabilidade como eleitores.

Eu não quero votar apenas em quem promete mais.

Quero votar em quem consegue explicar melhor como pretende cumprir o que está prometendo.

A região carbonífera precisa recuperar sua capacidade de sonhar, mas também precisa recuperar sua capacidade de cobrar.

Nós temos história. Temos trabalhadores. Temos cidades importantes. Temos localização estratégica. Temos infraestrutura que pode ser melhor aproveitada. Temos gente capaz de construir um novo ciclo econômico.

O que precisamos é de um projeto.

E, nesta eleição, eu espero que a região carbonífera não seja apenas lembrada pelos candidatos.

Espero que ela seja ouvida.

E, principalmente, espero que nós, eleitores, façamos a pergunta que pode mudar a qualidade do debate eleitoral:

“Muito bem, candidato. E como você pretende fazer isso?”

Porque depois de tantas promessas, eu acredito que já passou da hora de o eleitor deixar de perguntar apenas **“o que você vai fazer?” e começar a perguntar “como você vai fazer?”

É nessa diferença que pode estar o futuro da nossa região.


(*) Marcelo Noronha, jornalista


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