CMPC admite transferir projeto bilionário de celulose do RS para o Paraguai
Diretor-geral da empresa no Brasil afirmou que impasse judicial sobre licenciamento pode inviabilizar investimento em Barra do Ribeiro
CMPC admite transferir projeto bilionário de celulose do RS para o Paraguai A CMPC avalia transferir para o Paraguai o Projeto Natureza, que prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, caso não haja uma definição judicial sobre o licenciamento ambiental até o final de 2026. A declaração foi feita pelo diretor-geral da companhia no Brasil, Antonio Lacerda, em entrevista ao Jornal do Comércio.
O empreendimento prevê investimentos entre R$ 25 bilhões e R$ 27 bilhões e capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano. Segundo Lacerda, a indefinição jurídica já começa a comprometer o cronograma da iniciativa.
— Até o final do ano, no máximo. Se não houver definição, o projeto perde posição na fila dos fornecedores de tecnologia e pode atrasar de dois a três anos — afirmou ao Jornal do Comércio.
Conforme o executivo, caso o cenário permaneça indefinido, a empresa poderá optar pela instalação da planta no Paraguai.
— Lá tem madeira e previsibilidade jurídica — disse.
Impasse jurídico
O principal entrave envolve uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que questiona o processo de licenciamento ambiental do projeto. A discussão gira em torno da necessidade de realização de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) com comunidades indígenas, quilombolas e pescadores potencialmente impactados.
Na entrevista ao Jornal do Comércio, Lacerda classificou a exigência como inviável e afirmou que a medida pode impedir a continuidade do empreendimento.
— Isso cria um imbróglio jurídico gigantesco e inviabiliza o projeto — declarou.
O executivo também criticou o que considera excesso de exigências durante o processo e afirmou esperar um posicionamento da Advocacia-Geral da União (AGU) contrário ao entendimento do MPF.
Cronograma e investimentos
Segundo a CMPC, o projeto estaria pronto para iniciar as obras ainda neste ano caso o impasse seja resolvido. A previsão inicial da empresa é concluir a construção em cerca de 30 meses, com início da operação em agosto de 2029.
Lacerda revelou ainda que a companhia já investiu aproximadamente US$ 400 milhões no projeto até o momento.
Além da fábrica em Barra do Ribeiro, a empresa também estuda a implantação de um terminal próprio no Porto de Rio Grande para escoamento da produção de celulose. O executivo afirmou, porém, que esse projeto também enfrenta questionamentos relacionados ao licenciamento ambiental.
Debate sobre impactos
A CMPC sustenta que possui segurança técnica em relação aos impactos ambientais da nova planta, especialmente sobre a geração de efluentes. A empresa cita estudos realizados ao longo de mais de dez anos na unidade de Guaíba para defender a viabilidade ambiental do empreendimento.
Durante a entrevista ao Jornal do Comércio, Antonio Lacerda afirmou que a companhia e a matriz chilena acompanham com preocupação a situação do projeto no Rio Grande do Sul.
— O sentimento da empresa é de indignação — afirmou.





COMENTÁRIOS