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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Sucesso assim na terra como no céu

Humberto de Campos, verdadeiramente ‘imortal’

Reprodução
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Sucesso assim na terra como no céu

João Adolfo Guerreiro

Dia 25 de outubro, ou seja, este domingo de eleição, marcará os 140 anos de nascimento do politico e escritor maranhense Humberto de Campos, autor, a propósito da data, do livro Brasil: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, que escreveu, pasmem, depois de morto!

Isso mesmo, Humberto foi um "imortal" de fato, tanto como ocupante da cadeira 20 da Academia Brasileira de Letras quanto como escritor psicografado pelo médium Chico Xavier. E, assim, foi sucesso escrevendo tanto vivo quanto depois de morto. Por intermédio de Xavier, foram seis livros com seu nome e outros tantos assinando Irmão X (1), eis que sua viúva processou (e perdeu a causa) Chico e a Federação Espírita Brasileira reivindicando direitos autorais.

Seu grande clássico como escritor do outro mundo foi, sem dúvida, Brasil: Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de 1938, uma obra de referência para o Espiritismo Kardecista nacional. Basicante, o livro faz um resumo da história do Brasil sob a ótica kardecista a fim de justificar a escolha do país para a missão expressa no título, por Jesus. Por ela, o Brasil seria o coração espiritual do planeta, tornando-se referência ao revigorar a Palavra de Cristo expressa nos evangelhos bíblicos. De fato, o Brasil se tornou o maior país kardecista do planeta no século XX, doutrina que, em nosso país, legou ao mundo, além de Chico Xavier, os também médiuns Zé Arigó e Divaldo Pereira Franco. Todavia, o epíteto Pátria do Evangelho não se refere ao predomínio de determinada igreja, mas sim à retomada, no país, da religiosidade original cristã como exemplo radical de amor, fé, esperança e paz para os outros países.

Escrito um pouco antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial e durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, não faz menção ao fascismo e ao nazismo, mas delimita, em seu último capítulo, uma posição anti-marxista, conclamando o capitalismo a se humanizar e investir em educação para o povo. Entretanto, em vida, Humberto de Campos foi um político reformista social progressista, crítico das elites de seu tempo e que desejava levar educação e cultura para o povo, defendendo, dentre outras medidas, o barateamento do custo do livro para tal. Eleito sucessivamente desde 1920 deputado federal pelo Maranhão, foi cassado pela Revolução de 1930, mas posteriormente reabilitado politicamente por Getúlio Vargas, ocupando cargos no governo federal.

Humberto de Campos, mesmo pouco lembrado nos dias atuais, foi um escritor de talento com sucesso em vida, único por seus livros de maior repercussão: Memórias (1933), sua autobiografia, em vida; Diário Secreto (1950 em jornais, 1954 em livro), escrito em vida e publicado post mortem; e Brasil: Coração do Mundo, Pátria de Evangelho, escrito e publicado após a morte. Só por isso, deveria ser um escritor mundialmente citado.

Faleceu cedo, aos 48 anos, após longa e dolorosa convalescença, no auge de sua popularidade. Talvez por isso sua qualificada produção literária seja basicamente formada por contos, artigos e crônicas. Eis, insisto, um legítimo e verdadeiro escritor a fazer jus ao título acadêmico de "imortal".

Um bom findi pra todos. Cuidem-se, vacinem-se, votem com consciência, leiam Humberto de Campos, vivam e fiquem com Deus. 


 (1) - Quando vivo, Campos assinava alguns textos com o pseudônimo Conselheiro XX.




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